Economia & Mercado
por Thiago Teixeira
Publicado em 29/05/2026, às 04h00 - Atualizado às 04h20
A Rota dos Sertões, corredor de 502 km entre a BR-116 e da BR-324, será administrada pelo consórcio 116 Sertões, formado pela Galapagos Capital, Mota-Engil e Neo Invest. A rota liga Feira de Santana, na Bahia, a Salgueiro, em Pernambuco — sendo considerado estratégico do ponto de vista logístico e rodoviário.
E essas empresas não são meros desconhecidos dos baianos. A portuguesa Mota-Engil, por exemplo, é responsável pelas obras do Trecho 3 do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e que tem negociado a aquisição da Bamin, atual concessionária da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
Já o Neo Invest é uma subsidiária do conglomerado empresarial baiano Novonor — que abandonou o nome Odebrecht após os escândalos da Lava-Jato. O projeto prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos ao longo dos 30 anos de contrato, sendo R$ 4,1 bilhões destinados diretamente a obras de ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária.
Fundamental para o escoamento da produção agropecuária e industrial da região Nordeste, a Rota dos Sertões é responsável por integrar centros urbanos, polos industriais e mercados consumidores. O leilão do corredor foi realizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na quinta-feira (28), na sede da B3, em São Paulo.
O critério de julgamento do leilão, estruturado pela ANTT em parceria com o Ministério dos Transportes e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi o maior desconto tarifário sobre a tarifa básica de pedágio prevista no edital.
O consórcio 116 Sertões venceu a disputa ao apresentar uma proposta 19,60% mais barata. Além dele, outros dois consórcios também participaram do certame: o Consórcio Via dos Sertões e o Consórcio Atlas Rodovias. O primeiro foi liderado pelo grupo Aspen em parceria com o grupo DMDL.
Já o segundo foi encabeçado pela Yvy Capital — fundo criado em 2023 pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano, após deixarem o governo federal — juntamente com a Infra Brasil e com o grupo Houer.
Vale lembrar que o grupo Houer é o mesmo conglomerado contratado pela Prefeitura de Salvador para desenvolver os estudos de concessão dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário da capital baiana à iniciativa privada através de concessão ou Parceria Público Privada (PPP).
De acordo com o ANTT, as intervenções previstas abrangem 16 municípios ao longo do corredor rodoviário e incluem a duplicação de 108 km de rodovias, implantação de vias marginais, construção de novos dispositivos de retorno e execução do contorno viário de Serrinha, no Nordeste da Bahia.
Além disso, também está prevista a implantação de sistemas inteligentes de monitoramento, instalação de dez bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), além da criação de Ponto de Parada e Descanso (PPD) para motoristas profissionais.
Entenda a composição do sistema rodoviário:
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