Política

Joneuma diz que Uldurico Jr. negociou fuga de detentos em Eunápolis

Joneuma Silva Neres destacou papel de Uldurico Júnior na negociação de fuga com o líder de facção Dadá  |  Reprodução / TV Bahia

Publicado em 30/04/2026, às 22h52 - Atualizado em 01/05/2026, às 08h59   Reprodução / TV Bahia   Davi Lemos

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, em entrevista à TV Bahia exibida nesta quinta-feira (30), disse que a fuga de 16 detentos da unidade prisional ocorreu após negociação entre o ex-deputado federal Uldurico Júnior e o líder de facção Ednaldo Pereira Souza, o Dadá. A fuga ocorreu em dezembro de 2024. Na entrevista, Joneuma negou o caso com Dadá e afirmou que a filha dela é fruto de relacionamento com o ex-parlamentar.

"A facilitação da fuga se deu por um acordo entre o ex-deputado Uldurico Júnior e o Ednaldo, que era um interno do Conjunto Penal de Eunápolis. Após uma negociação com alguns valores, foi combinado que seriam 2 milhões de reais para facilitar, fazer uma vista grossa em relação ao planejamento dessa fuga. Apesar de que o êxito se deu por também vários outros fatores internos e externos, mas a princípio foi ele que negociou, e me usou para poder negociar essa fuga com valor de 2 milhões de reais", disse Joneuma.

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"Nunca foi falado que seria algum valor para mim. Sempre ele dizia, é metade para mim, metade para o chefe", destacou Joneuma. Segundo as investigações, o "chefe" pode ser o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB).

Ela explicou a motivação para quebrar o silêncio: "Eu senti a necessidade de falar por conta de tudo que está sendo veiculado na mídia sobre mim, tudo o que foi veiculado sobre mim nesse tempo todo em que eu estive presa, incomunicável, isolada". Joneuma declarou ainda que, depois que ela assumiu a direção do conjunto penal, "as coisas começaram a acontecer e aí, mesmo não concordando, foram acontecendo e eu fui permitindo".

Relacionamento

Joneuma disse que o relacionamento com Uldurico ocorreu após a nomeação dela para a direção do Conjunto Penal de Eunápolis. "Na verdade não [o relacionamento não começou antes da nomeação], porque a indicação foi feita em dezembro e eu comecei a me relacionar com ele efetivamente em fevereiro, mas não foi uma coisa relacionada a outra não. O relacionamento surgiu depois, não foi um modo de troca, como muita gente acha", comentou.

A ex-diretora da unidade prisional negou relacionamento amoroso com o líder de facção, Dadá. "E isso me incomoda muito. Isso me prejudicou muito. Tanto que até cogitaram que minha filha fosse filha dele. E o que mais me prejudicou foi que o pai da minha filha, o Uldurico, nunca se pronunciou que era o pai dela, mesmo ele sabendo que eu estava grávida desde outubro de 2024. Claro que me arrependo amargamente de todas as decisões que eu tomei e as que eu deixei de tomar", declarou Joneuma Silva Neres.

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