Salvador
Publicado em 23/09/2026, às 08h31 - Atualizado às 09h16 Reprodução-Divulgação / PC-BA Anderson Ramos
A defesa da consultora Maria Isabel Regueira Regueira, de 60 anos, investigada por participação em um esquema de fraude no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Salvador, negou que ela estivesse foragida.
A servidora da Sefaz Municipal foi presa no sábado (19), no Aeroporto Internacional de Salvador, ao retornar da Espanha,no âmbito da Operação Valor Venal, deflagrada pela Polícia Civil.
Segundo as investigações, ela é uma das líderes do grupo e atuava na negociação com proprietários de imóveis e na formalização de contratos para revisão do IPTU.
Em nota enviada ao BNews, os advogados criminalistas Ivan Jezler Júnior e Ciro Brito, informaram que a investigada viajou para a Espanha em julho, antes da deflagração da operação, para acompanhar sua mãe, de mais de 80 anos, que passou recentemente por um tratamento contra o câncer.
Ainda segundo a defesa, assim que soube da deflagração da operação, entrou previamente em contato com a delegacia, informou a data de retorno da investigada ao Brasil e comunicou sua disposição de se apresentar às autoridades.
A própria defesa informou às autoridades quando ela retornaria ao Brasil e se colocou à disposição para sua apresentação. Não houve tentativa de fuga. É importante que os fatos sejam esclarecidos para evitar interpretações equivocadas sobre a conduta da investigada, que vem colaborando com as investigações até a comprovação de sua inocência", afirma Ivan Jezler.
Maria Isabel passou por uma audiência de custódia na terça-feira (22), mas ainda aguarda o resultado. Segundo a defesa, o juiz não quis reanalisar a prisão decretada por outro juiz e vai repassar a análise do pedido de revogação da prisão. Enquanto isso a servidora continua detida.
Na primeira fase da operação, outras quatro pessoas foram presas: dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora com vínculo terceirizado. Esta última é apontada como responsável pela execução das alterações no cadastro imobiliário da Sefaz.
Quatro servidoras da Secretaria Municipal também foram afastadas das funções por determinação judicial.
Segundo as investigações, os despachantes faziam a captação de proprietários de imóveis e terrenos de alto padrão interessados em reduzir o IPTU. Após a contratação, os clientes eram encaminhados para as consultoras, responsáveis pelas negociações e pela formalização dos contratos.
As duas consultoras são apontadas como responsáveis por uma parcela significativa da articulação com os proprietários. Elas também ficavam com a maior parte dos valores pagos pelos clientes, segundo a apuração.
Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis foram beneficiados pelas alterações, com reduções de até 90% no valor venal.
No mesmo período, a investigação identificou ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão, considerando a diferença entre os valores reais dos imóveis e aqueles registrados no sistema após as alterações fraudulentas.
Segundo as apurações, o município deixou de arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões em razão das fraudes.
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