Saúde
Publicado em 11/10/2025, às 06h00 Reprodução Freepik Mariana Cedrim
No Brasil, mais de 73.600 novos casos de câncer de mama são diagnósticados por ano no triênio 2023-2025 e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) alerta que o impacto psicológico é tão preocupante quanto os números da incidência.
Cerca de 38,2% das mulheres em tratamento apresentam sintomas de depressão e 32,2% desenvolvem transtornos de ansiedade. O psicólogo do INCA, Luti Christóforo, explica que a dimensão psicológica não pode ser ignorada e que em determinadas situações o paciente precisa de ajuda profissional para buscar o equilíbrio emocional.
“O câncer é uma das doenças mais temidas porque afeta a vida da mulher como um todo, não apenas o corpo físico, mas também a mente e o espírito. O tratamento psicológico acolhe sentimentos de angústia, medo e ansiedade que surgem com o diagnóstico e os traumas do tratamento”.
Luti ainda destacou que o acompanhamento ajuda a restaurar a autoimagem e a redescobrir valores pessoais, promovendo maior equilíbrio emocional. A família também desempenha papel decisivo.
“As transformações durante o processo repercutem na psique. A paciente não precisa lidar sozinha com essas manifestações A doença é real, mas a cura e o bem-estar também são. Depende de apoio, de empatia e de acompanhamento psicológico”.
Diogo Henrique, filho de uma paciente oncológica contou o quanto foi importante o equilibrio emocional da família e da sua mãe após ela ser diagnosticada com câncer de mama em 2024. "Apesar do medo e receio, ela ficou muito tranquila e confiante durante todo o processo. Ela tinha certeza que seria curada".
Mas os desafios da família no enfrentamento a doença não pararam por aí. Na tentativa de fazer a primeira cirurgia para retirada da mama, Ana Elisa teve uma reação a anestesia e precisou ser entubada.
"Nossa família desmoronou, ficamos muito apreensivos. Eu, como filho mais velho, fiquei sem chão ao ver minha mãe passar por aquela situação. Fiquei desesperado. Mas graças a Deus e aos orixás, nossa fé se manteve firme e ela saiu mais forte do que nunca. Mais uma vez aprendi com ela a ser forte mesmo nos piores momentos da vida".
Alguns meses depois do susto Ana Elisa fez a cirurgia e hoje está bem. Ela faz acompanhamento com a equipe multidisciplinar do hospital no processo de remissão do câncer, sempre muito calma e serena, sendo ela a resposável, na maioria das vezes a tranquilizar o restante da família.
BNews Outubro Rosa: Mulheres redescobrem prazer e sexualidade após diagnóstico do câncer de mama
Bnews Outubro Rosa: maternidade após diagnóstico reacende esperança em mulheres