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Leão ainda não colou o suficiente em ACM Neto

Imagem Leão ainda não colou o suficiente em ACM Neto

O voto casado do senado é tradição na Bahia, mas nesta pré-campanha está destoante

Publicado em 02/05/2022, às 06h00        Victor Pinto

Reza a tradição histórica na Bahia do nacional de interferir na eleição do governo do Estado. Nesse mesmo aspecto histórico temos a disputa do Senado. O senador sempre foi eleito na esteira da campanha do Palácio de Ondina. Dos registros históricos do voto, a exceção foi somente em 1962, quando Lomanto Júnior do PL derrotou Waldir Pires do PSD, mas os senadores da chapa de Waldir, Antônio Balbino e Josaphat Marinho, foram os eleitos ao desbancar a dupla Dantas Júnior e João de Lima Teixeira.

De lá pra cá sempre foi o voto casado. Tivemos algumas situações de disputa acirrada, a exemplo de Lídice da Mata e Walter Pinheiro contra César Borges na eleição de 2010. Ou Angelo Coronel e Irmão Lázaro em 2018. O voto casado foi forte para sacramentar as arrumações. No pleito deste ano, João Leão (PP) já iniciou a pré-campanha do giroflex ligado e rodando no alerta.

O vice-governador da Bahia ainda não colou o suficiente na figura de ACM Neto (União). Todas as últimas pesquisas registradas e divulgadas mostram esse cenário. O bonitão, apesar de toda repercussão diante da cisão com Rui Costa (PT) e anúncio da adesão ao netismo, ainda não traduziu esse movimento em números, por mais que venha intensificando sua imagem na imprensa e nas andanças pelo interior. O benefício para Leão é seguir na pré-campanha, ou seja, há tempo para repensar estratégias e assim tentar contornar com mais força esse cenário.

No atual desenho vemos Lula (PT) na liderança entre os baianos na queda de braço pela presidência da República, seguido de Neto na corrida do Palácio de Ondina e Otto Alencar (PSD) na busca da reeleição, daquele que é tratado como o cargo “paraíso” de quem está na política.

Esse movimento diz muito e mostra que, por ser um partido de centro direita, o PSD, na figura de Otto, cola fácil com o nome de Neto, mesmo o pessedista sendo um apoiador declarado do PT, de Jerônimo Rodrigues (PT) e de Lula. E apesar da estrutura do PP pelo interior, a sigla rival prepondera ainda no gosto do público eleitor.

O bonitão tem que tomar muito cuidado ao tentar usar o argumento, por exemplo, de que outros políticos começaram lá atrás nas pesquisas e reagiram na hora certa, pois assim ele assina embaixo na narrativa utilizada por seus adversários ao relembrar Jaques Wagner (PT) de 2006 e Rui Costa de 2014 no comparativo a Jerônimo que ainda pena para encostar em Neto.

Leão vai ter que colar bem mais com o ex-prefeito de Salvador caso queira reagir. Vai ter muito piseiro atrás de paredão para correr e dançar, e assim mostrar sintonia com o grupo do qual hoje faz parte, mesmo tendo passado anos a fio no apoio dos seus agora rivais. Ou então precisará pensar em um plano C.

Victor Pintoé editor do BNews e âncora do programa BNews Agora na rádio Piatã FM. É jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. É colunista do jornal Tribuna da Bahia, da rádio Câmara e apresentador na rádio Excelsior da Bahia. Twitter: @victordojornal

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