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Nem sempre prefeitos e partidos garantem eleição

Imagem Nem sempre prefeitos e partidos garantem eleição

Números de prefeitos, vereadores e partidos nunca vão ser preponderantes para vencer uma eleição

Publicado em 25/04/2022, às 05h45        Victor Pinto

Nem sempre o que se propaga de força de coalizão através de número de apoiadores é algo traduzido instantaneamente na hora do voto. A quantificação de partidos na coligação, bancada de deputados ou até mesmo de vereadores ou prefeitos espalhados pelo Estado nem sempre garante uma vitória acachapante ou segura na urna.

Assistimos nesse momento de pré-campanha a um jogo de estica e puxa com a sopa de letrinhas das siglas e um sobe e desce de chefes do Executivo, sejam dos palanques já montados pelo interior, seja no elevador da governadoria.

Vejamos: vários foram os prefeitos de partidos opositores que declararam apoio a Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa ao governo da Bahia, a exemplo de filiados do PL, PP ou Republicanos. ACM Neto (União) também teria recebido aceno de filiados do PSD de Otto Alencar (PSD).

Apesar de causar um impacto com o montante, como os governistas costumam, atualmente, ecoar, nem sempre os prefeitos seguem a linha ideológica partidária. A realidade local conta muito mais. Ele quer estar próximo de quem pode ajudá-lo no pleito futuro e, nem que para isso, na virada da chave do cheiro de vitória, faça isso em plena campanha em curso.

Para vereadores o cenário ainda é muito mais incerto. Não se pode confiar. Os pré-candidatos a deputado podem dizer melhor. Acontece um fenômeno escancarado no pleito deste ano: dificilmente uma liderança tem um só nome de apoio para a AL-BA ou Câmara Federal. Garantem a divisão dos votos para dois ou três quadros, principalmente aqueles que possuem acesso direto ao Orçamento Secreto da União.

Outro caso: coligações. Recentemente Neto se vangloriou em entrevista a uma emissora de rádio que tem mais partidos no arco de alianças do que o pré-candidato “oficial”. Ou seja, daquele sentado na máquina. Assim como o número de prefeitos, primeiramente isso pode até impactar, mas ao esmiuçar a tradução eleitoral eficaz nem sempre condiz com a expectativa.

Diante desses cenários, nem sempre absolutos, lembremos do que foi a eleição de 2006. O jogo do poder seguia com Paulo Souto (União). Bancada na AL-BA, estrutura do poder, número de prefeitos a seu favor. Quando o povo quis, não teve jeito. Jaques Wagner (PT) venceu de maneira surpreendente no primeiro turno. Outro caso: eleição de 2014. Paulo Souto possuía 14 partidos na coligação Unidos Pela Bahia, mas perdeu aquela eleição para Rui Costa (PT), da coligação “Pra Bahia Mudar Mais” com oito siglas.

Os prefeitos ganham peso, em tese, por exercerem micropoderes através das estruturas estatais e políticas. Os vereadores pelo trabalho miúdo nos rincões de cada município e os partidos por abarcar ambos os personagens e promoverem outros tipos de atributos, a exemplo do tempo publicitário na campanha. Mas esses fatores não são os preponderantes.

Victor Pintoé editor do BNews e âncora do programa BNews Agora na rádio Piatã FM. É jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. É colunista do jornal Tribuna da Bahia, da rádio Câmara e apresentador na rádio Excelsior da Bahia. Twitter: @victordojornal

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