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Medo de recessão global e fuga de risco derrubam preços de soja, milho e trigo

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O desempenho desses produtos nas bolsas internacionais não deixa dúvida

Publicado em 30/07/2022, às 10h42    Pixabay    Redação BNews

Os problemas climáticos no mês de julho continuaram a preocupar produtores de algumas das mais importantes culturas agrícolas em diferentes partes do mundo. O desempenho desses produtos nas bolsas internacionais não deixa dúvida.

Segundo cálculos do Valor Data feitos com base na média dos preços dos contratos que ocupam a segunda posição de entrega, soja, milho e trigo encerraram o mês com recuos de dois dígitos na bolsa de Chicago. As quedas foram de 11%, 14,4% e 19,8%, respectivamente.

O Federal Reserve (Fed), com objetivo de controlar a inflação nos Estados Unidos, já aumentou os juros básicos do país quatro vezes neste ano. O mais recente aumento foi anunciado na última quarta-feira (27). De acordo com reportagem do Valor Econômico, investidores, economistas, analistas e setor produtivo temem que as medidas do banco central americano enfraqueçam a atividade econômica nos EUA.

Como a moeda americana exerce um papel de reserva de valor para governos e empresas de todo o mundo, o desaquecimento pode se alastrar pelo planeta.

Por isso, a estratégia adotada pelo Fed também tem como consequência a mudança nas carteiras de investimentos de fundos especulativos e de grandes investidores institucionais, como fundos de pensão. Muitos deles têm regulamentos que determinam que, em momentos de alta dos juros nos EUA, os gestores reduzam posições em ativos considerados mais arriscados, como as commodities agrícolas, para redirecionar esses recursos ao dólar ou aos títulos do Tesouro americano.

Analistas ouvidos pela reportagem afirmam que essas são algumas das razões para que os preços agrícolas tenham recuado, ainda que os fundamentos de oferta e demanda desses produtos sugerissem o oposto. Ao cair pelo terceiro mês seguido, o milho ficou perto de “zerar” a valorização deste ano — a cotação média foi de US$ 6,0270 em julho, o que representa uma alta de apenas 1,6% em 2022.

No mês passado, a queda ocorreu por causa da falta de chuvas em áreas de cultivo nos EUA e da indefinição sobre a retomada das exportações ucranianas pelo Mar Negro, paralisadas desde a invasão russa ao país, em fevereiro.

O Valor cita ainda que os preços dos grãos continuam bem acima de suas médias históricas. O trigo, por exemplo, foi negociado por US$ 8,2140 em julho, em média. Mesmo com a forte queda no último mês e de agora acumular alta modesta, de 3,6%, em 2022, o trigo subiu 22% nos últimos 12 meses.

O declínio do trigo é um caso bastante eloquente sobre a forte instabilidade das cotações agrícolas. As lavouras sofrem com a falta de chuvas na Europa, o bloqueio às exportações ucranianas, e, ainda assim, o cereal encerrou o mês em queda pronunciada.

“A guerra é um elemento a mais [de instabilidade] em um mercado [com oferta] já bastante apertada”, disse ao Valor o economista-chefe do Departamento de Agricultura americano (USDA), Seth Meyer, no início desta semana.

A reportagem cita ainda que na bolsa de Nova York, todas as “soft commodities” recuaram em julho. Afetado pelo temor de recessão, pela aversão a ativos de risco nos mercados financeiros e, também, pela diminuição das importações chinesas, o algodão recuou 22% e liderou as quedas. Com o desempenho, a pluma encerrou o mês negociada por menos de US$ 1 a libra peso, o que não ocorria desde setembro do ano passado.

Até o momento, o açúcar, cacau e café, além do algodão, acumulam queda, e o suco de laranja, alta de quase 20%. O cacau, que tem hoje a mais longa série de baixas entre as principais commodities agrícolas negociadas em Nova York e Chicago — já são cinco meses de queda consecutivos —, agora acumula desvalorização também em 12 meses, de 0,65%.

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