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Confira as raças de cachorros 100% brasileiras e as características desses cães

Canil Boa Sorte/Divulgação

Procura por esses cães ainda é baixa no Brasil

Publicado em 17/11/2021, às 20h23    Canil Boa Sorte/Divulgação    Redação BNews

Mesmo com a alta no número de cachorros em ambientes domésticos no Brasil, o país não apesenta tradição de manter raças nativas nesses espaços. A veterinária comportamental Rebecca Terra falou sobre as raças brasileiras de cães e de como elas são pouco valorizadas no território nacional. Rebecca ainda explicou o porquê dessa situação e comentou sobre as características desses animais.

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Os animais, segundo a veterinária, assim como os seres humanos, também podem ser nativos de um país específico. Ao site Estado De Minas, Rebecca disse que essas raças são a padronização das características desejadas de determinados animais. “Uma determinada população cruzou animais com características desejadas e, ao atingir animais 'ideais', os cruzou entre si para perpetuar indivíduos com tais fenótipos. É importante ressaltar que, mesmo as raças brasileiras tendo sido formadas aqui, elas são descendentes de raças estrangeiras”, afirmou.

Lara Halterbeck, veterinária especializada em neurologia canina, da SOS Animal, também explicou que, embora o país tenha uma grande fauna, não é referência quando se trata de raças caninas. Ao Estado de Minas, ela comentou: “O Brasil dispõe de muitas espécies de animais, sendo grande parte delas silvestres nativos da Mata Atlântica, do cerrado e da Amazônia. Mas as raças brasileiras são resultado de cruzamentos entre cães oriundos do Brasil e algumas raças que foram inseridas de fora, como é o caso da fila brasileiro, resultado do cruzamento de cães nativos e algumas raças introduzidas pelos colonizadores portugueses”. 

O Brasil está entre os países onde o número de cães em ambientes domésticos mais tem crescido nos últimos anos. Apesar dessa alta, as raças nativas não estão entre a escolha da população. Enquanto mais de 200 raças são oriundas da Europa, as originárias do território brasileiro não chegam a 10% disso. Segundo Rebecca esse comportamento está ligado diretamente à “moda” do momento. Ela explicou: “A mídia coloca um animal com determinada característica e, assim, a moda pega, sem ninguém questionar se é razoável a escolha”. Ela ainda falou sobre como o porte dos animais influencia na falta de interesse por essas raças. Ela disse “Um fator preponderante que faz com que essas raças caiam no esquecimento é a demanda do mercado para cães de companhia cada vez menores. Outra questão interessante, no caso dos cães de grande porte, é a aceitação de determinadas raças pela população sem um estudo sobre a adaptação do animal ao clima brasileiro e à finalidade dele na família”.

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Confira as raças brasileiras:

Fila Brasileiro 
Esta foi a primeira raça nacional reconhecida pela Federação Cinológica Internacional, em 1946. Essa raça é resultado de uma mistura de várias outras raças, predominando o mastiff inglês, o bloodhound e o buldogue, segundo o Clube de Aprimoramento do Fila Brasileiro (Afib). É um cão que está relacionado ao crescimento do Brasil. Lara Halterbeck disse: “Era muito usado para caçar o gado e protegê-lo contra o ataque de onças, além de proteger as fazendas, já que é valente com estranhos”.

Rebecca Terra apontou as principais características desse pet: “São impetuosos e, ao mesmo tempo, afetivos. Excelentes cães de guarda”.

Fox Paulistinha


Divulgação/Blog Dramei


Existem várias teorias a respeito da origem do Fox Paulistinha, também conhecido como terrier brasileiro, mas a mais aceita é a de que, durante o século 20, os jovens brasileiros, após retornarem de universidades europeias, traziam consigo cães pequenos do tipo terrier. A veterinária Lara contou: “Após cruzamentos com cadelas da região, foi possível definir um critério único para a raça”. 

O cão é de pequeno a médio porte, normalmente tricolor (branco, preto e marrom), que tem a base das orelhas eretas e focinho comprido. Além disso, o Fox Paulistinho tem pelo bem denso e curto. Lara ainda disse que essa raça é “muito companheira, com uma energia incansável”. Rebecca ainda acrescentou: “Por ser muito atento e relativamente barulhento, ele é criado muitas vezes como cão de alarme”.

Buldogue Campeiro

Reprodução/Youtube


Esse cão é originado dos buldogues que chegaram ao Brasil com os imigrantes europeus, no século XVIII. Lara Halterbeck explicou: “A seleção da raça se deu quase de maneira natural, já que os cães, por serem muito baixos, não conseguiam percorrer longas distâncias e tracionar segurando o boi, ao passo que os que eram muito altos perdiam a precisão dos movimentos, ficando vulneráveis a ataques dos bois”. 

O pet possui porte médio, é atlético e possui variadas cores. Rebecca o descreveu: “Gosta de vida livre, espaço. Costuma ser absurdamente destemido e corajoso”.

Ovelheiro Gaúcho

Reprodução/sobraci


O Ovelheiro Gaúcho é ligado ao campo, já que tinha como missão acompanhar o peão em suas tarefas rurais. Ele era utilizado para conduzir e proteger as ovelhas de outros animais e de desconhecidos, segundo Helterbeck. 

O cão tem pelos longos e macios, além de uma boa camada de subpelo que o protege durante o inverno. A veterinária Rebecca comentou que o temperamento do animal pode ser resumido em inteligente, ágil e resistente. 

Veadeiro Pampeano
O Veadeiro Pampeano se encontra no Brasil desde o início do século XX. Ele pode ser visto em várias regiões geográficas do território nacional, principalmente no Rio Grande do Sul. Lara comentou: “São cães utilizados para o rastro e a caça de outros animais. Eles apresentam um comportamento grupal tranquilo, lidando bem com outros cães”. 

Ele é caracterizado por ter pelo curto, pernas cumpridas e musculosas. Além disso, a sua cor varia entre braço e caramelo. A raça do animal foi concebida nos pampas gaúchos, argentinos e uruguaios com o intuito da caça.

Classificação Indicativa: Livre