Madrre, Dolce, Fashion, Rock in Rio Café, Café Cancun, Twist Pub, Blue House, Portela Café, Commons, Idearium e tantas outras. Boates que embalaram gerações de soteropolitanos, mas, infelizmente, desapareceram ou mudaram completamente de função. O que restou das casas noturnas que marcaram época em Salvador?
Quem é mais novo e passa por alguns dos endereços mais emblemáticos da vida noturna da capital dos baianos talvez nem faça ideia que, há alguns anos ou talvez algumas décadas, esses mesmos lugares eram palco de filas quilométricas, luzes estroboscópicas, pistas lotadas e histórias que atravessaram gerações.
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Naquela época, não existiam aplicativos de relacionamento, muito menos instagram para divulgação de festas ou WhatsApp para organizar “rolês” em grupos. O ritual para viver a noite de Salvador era: escolher a roupa, buscar ou encontrar os amigos e seguir para casas que eram os verdadeiros marcos da cidade.
Fashion
A Fashion foi uma das casas mais conhecidas da noite soteropolitana, associada à música eletrônica e a um público mais sofisticado. Quem não lembra da boate ali na Av. Octávio Mangabeira, orla da capital, entre a Pituba, o Jardim dos Namorados e o Costa Azul?
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Madree
A Madrre ocupou o mesmo endereço que antes funcionou a Fashion. Foi uma das principais boates da Salvador dos anos 2000.
A casa sempre foi apontada como uma das boates mais movimentadas de Salvador, especialmente no final dos anos 2000
Rock in Rio Café
O Rock in Rio Café foi uma das principais casas de shows do antigo e também saudoso Aeroclube. Foi inaugurado em 1998 e recebeu grandes atrações.
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Café Cancun
O Café Cancun também funcionou no antigo Aeroclube Plaza Show. Era restaurante temático durante o dia e, à noite, a partir das 22h, funcionava também como boate.
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Twist Pub
O Twist foi inaugurado em 2002 e ficou conhecido pela combinação de pub, música ao vivo, festas e apresentações.
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Há um acervo fotográfico particularmente interessante de 2007, com dezenas de fotos de uma noite no estabelecimento
Simbolismo
E se fala em marco, símbolo, essência, porque elas eram mais do que boates e pistas de dança. Foram cenários de paixões à primeira vista, romances, reencontros, despedidas, amizades e até casamentos. Embora quase todas elas tenham desaparecido por completo ou mudado de endereço ou até de função, deixaram uma marca na memória de quem viveu o auge da noite em Salvador.
Era e é impossível encontrar alguém que frequentasse a noite da capital baiana e não tenha passado por pelo menos uma dessas casas e que não tenha pelo menos uma boa história pra contar ou recordações nostálgicas que aquecem o coração e fazem sorrir à toa quando relembradas.
Ao BNews, a soteropolitana Fernanda Alves afirmou que cada dia da semana era um ritmo e um motivo diferente para curtir Salvador após as 22h.
“Shows semanais, com bandas variadas que iam do forró ao pagode (Harmonia do Samba), passando pela MPB, vi show de Luciana Mello no Rock in Rio Café. Cada dia da semana era um ritmo, isso era massa, fora a localização no Aeroclube que era um diferencial”, disse.
E tinha o fator adrenalina também. Uma das casas mais emblemáticas da época possuía uma regra que deixava a juventude mais nova ouriçada.
“Sobre o Café Cancun, a curiosidade de quem era mais jovem era um atrativo, porque só podia ter acesso à casa quem tivesse 21 anos”, completou ela aos risos.
“Acredito que eram as propostas de noites temáticas para cada dia da semana que agradavam a diversos públicos, assim como os ensaios e shows que aconteciam das bandas e cantores mais bombados do momento. A galera mais jovem costumava frequentar essas casas à noite geralmente de quinta a domingo, iam até de manhã. Nos domingos havia programação que começava final da tarde, geralmente relacionada a samba/pagode. Tinham muitos ensaios de verão também que aconteciam nessas casas”.
Ela também destacou como essas boates eram pontos de encontro para conhecer pessoas e fazer amizades.
“Os ciclos de amizades já frequentavam as casas, muitos dos amigos, amigos dos amigos eram “promoters” dessas casas, que costumavam ter listas de entrada, assim a gente acabava fazendo muitas amizades e aumentando os ciclos sociais”, apontou.
Desafiada a escolher uma única noite de uma dessas boates, caso pudesse reviver, Lorena não teve dúvidas.
“Os ensaios de verão que ocorriam no Rock in Rio Café. Era o auge do Verão, o artista mais próximo do público, o clima da cidade já se preparando pro Carnaval, todo mundo se encontrava nos ensaios”.
Sobre os motivos dessas casas terem perdido espaço e acabando deixado de existir, tanto Fernanda quanto Lorena apresentam motivos variados. Para a advogada, os hábitos da juventude foram mudando e acabaram mais voltados para os barzinhos, botecos com bandas, além da perda de interesse de ficar até de manhã na programação de balada. Já Fernanda aponta a insegurança e a “velhice” como motivos.
“Fator insegurança contribui para redução das saídas para lazer tarde da noite. Outro fator que reduz: velhice (risos) Essa fase da vida, prefiro dormir cedo pra acordar cedo pra correr, idade chega, prioridades mudam”, afirmou Fernanda.
Cada uma dessas boates tinha uma identidade, um público e uma trilha sonora. Todos so gostos e energias eram contempladas sem deixar ninguém na mão. Havia quem preferisse o bom e velho “tunts tunts” das músicas eletrônicas. Outros não abriam mão do pop, do rock ou dos sucessos nacionais.
Havia quem chegasse cedo para não pegar filas, quem esperasse a madrugada quase que toda para entrar e quem conhecesse todos os seguranças e bartenders pelo nome. Independentemente do estilo, do público, da vibe, todas tinham algo em comum: eram pontos de encontro e boas trocas.
Para muitos frequentadores, foi nessas casas onde aconteceu o primeiro beijo, onde foi dada a largada para o primeiro namoro. A despedida da faculdade, de solteiro. A festa de aniversário ou simplesmente aquele final de semana inesquecível que até hoje rende histórias épicas.
Em conversa com o BNews, Nagib Daiha, proprietário da Fashion Club e da Madrre, contou como surgiu a ideia de criar um dos espaços que se tornaram referência na vida noturna de Salvador e qual foi o momento de maior sucesso e o que mais atraía o público
“Nosso Grupo Namaha, na época sócios do Bohemia Music Bar e Caranguejo de Sergipe, era considerado uns dos melhores grupos de operação de casas da cidade. Isso chamou a atenção do Grupo Fashion Club que tinha 5 casas espalhadas no Brasil e nos convidou a abrir a Fashion Club colocando o Namaha como gestor da casa. Tivemos muitas fases fantásticas e de lotação máxima da casa, chegando a colocar 12 mil pessoas numa semana. A casa abria no verão de segunda a segunda, e por conta da qualidade, tamanho, atendimento e relacionamento, nós levamos boa parte dos Ensaios de Verão de Salvador para a Fashion / Madrre. Babado Novo, Jamil, Olodum, Luis Caldas, Ensaios do Haren, Batifun, Ensaios do Funk carioca, grandes atrações nacionais e internacionais de música eletrônica, etc. Sempre buscamos inovar e isso nos fez ter anos de sucesso”, lembrou.
Nagib demonstra felicidade ao ver que a casa ainda é lembrada por tantas pessoas.
Nagib Daiha
“Nós ajudamos a transformar Salvador numa cidade do entretenimento. O turista que chegava na cidade tinha certeza que iria se divertir muito com uma noite com muita qualidade musical, áreas vips maravilhosas, pistas fervendo, ótimo atendimento e sem risco. Nunca tivemos nada grave na casa. Segurança era primordial. Quem frequentava a casa guarda isso com grande carinho”.
Ele também avaliou a mudança da vida noturna de Salvador e destaca quando percebeu que a cena das grandes boates estava mudando.
“Salvador tem um potencial interessante para esse tipo de negócio. Mas é inegável que temos mudanças de hábito. Juventude bebendo menos, Mounjaro, etc, insegurança nas ruas, turma querendo acordar cedo para malhar, etc. Mas sempre acho que tem espaço para o entretenimento. Mas, se fosse hoje, eu abriria menos dias e o restante dos dias seria um espaço para eventos corporativos e comemorativos. Confesso que nossa casa foi a última casa de show grande da cidade para um público qualificado. Momento do Axé já não fazia da cidade um grande polo de atração de turistas, tirando o carnaval. Já não tinham tantos ensaios de várias novas bandas e as tradicionais perderam interesse. Um dos grandes diferenciais de casas grandes em Salvador era atrair esses ensaios. Isso parou de acontecer e deu espaço para casas menores”, disse.
Nagib Daiha apontou quais foram os principais fatores que levaram às transformações e fechamento do empreendimento.
BNews
“Fizemos mudanças de nome, várias reformas, sempre buscando atualizar a casa, e sempre deu certo. Mas um problema estrutural na construção da casa nos abrigou a deixar a Madrre fechada por muito tempo e a reabertura nos fez gastar muita grana na mudança/ reforma. Isso nos descapitalizou e tornou o negócio difícil de levar por conta dos juros”.
O empresário é contundente sobre Salvador ter perdido parte da sua vida noturna com o fechamento desses espaços.
Salvador não é mais a mesma em termos de entretenimento. Perdemos as casas, perdemos em segurança pública, perdemos grandes bairros de entretenimento como a Barra, o Rio Vermelho e a Pituba. A cidade precisa de mellhor iluminação, estar mais limpa, menos pichada, menos ambulantes nas ruas (nenhum em algumas regiões) e principalmente trazer sensação de segurança para o turista e para o soteropolitano. Se não houver política pública para resgatar isso, o empresário não vai se sentir seguro para dar passos importantes. Moro em São Paulo há 10 anos. Amo minha cidade e sempre vou e rodo para ver como estão as coisas e fico bastante decepcionado. Lanço um desafio a todos que leiam essa matéria de rodar esses três bairros maravilhosos acima na terça ou quarta, e depois me contem como foi a experiência”, desafiou ele.
Quem também relembrou os tempos áureos com o BNews foi André Curvelo, ex-proprietário da Dolce.
“A ideia surgiu da vontade de proporcionar entretenimento de qualidade, criar conexões entre as pessoas e oferecer um ambiente onde elas pudessem viver bons momentos. Como em qualquer empreendimento, também havia o objetivo de obter retorno financeiro, mas conciliando o sucesso do negócio com a satisfação dos clientes. O público era bastante diversificado, reunindo pessoas de diferentes classes sociais, embora houvesse predominância das classes A e B.Naquela época, as pessoas buscavam mais as conexões presenciais, algo bem diferente do que se observa atualmente”, rememorou.
O empresário comparou as noites soteropolitanas do passado com as atuais.
“Salvador viveu uma vida noturna muito intensa, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, com diversas casas noturnas e bares que marcaram época, como Hippopotamus, Le Zodiac, Bual'Amour, Kalamazoo e Quéops. A partir dos anos 2000, outros estabelecimentos também ganharam destaque, entre eles Rock in Rio Café, Café Teatro Porcão, Café Cancun, Lotus, Fashion Club, Twist e Satélite. No meu ponto de vista, o gosto musical do público era mais apurado e refinado, e as pessoas valorizavam mais a experiência proporcionada pelos estabelecimentos. Na minha avaliação, a vida noturna de Salvador mudou profundamente ao longo dos últimos anos. Um dos principais fatores foi o surgimento das redes sociais, que não existiam quando a casa estava em atividade. Elas mudaram a forma como as pessoas se relacionam, reduzindo, em muitos casos, a necessidade de encontros presenciais e alterando os hábitos de convivência. (...) Além disso, percebo que houve uma diversificação das opções de lazer principalmente durante o dia”, alegou.
O crescimento da cultura fitness, por exemplo, influenciou parte do público que antes frequentava bares e casas noturnas.
André Curvelo
Em Salvador, observo também o aumento expressivo das corridas de rua, que passaram a reunir dezenas de milhares de participantes, principalmente nos finais de semana. Na minha percepção, esse tipo de evento acaba influenciando os hábitos de uma parcela significativa do público, que prefere evitar sair até tarde na sexta-feira ou no sábado para participar das provas no domingo. Acredito que a vida noturna não deixou de existir, mas passou por uma transformação. Hoje, o consumidor busca experiências diferentes, frequenta os estabelecimentos com menor regularidade e dispõe de muito mais alternativas de entretenimento diurnos do que havia nas décadas de 1980, 1990 e no início dos anos 2000”, pontuou.
André Curvelo desabafou sobre os motivos que levaram ao fechamento da Dolce.
Um dos principais fatores foi a característica sazonal do mercado de entretenimento em Salvador. Além disso, o público que frequentava regularmente a vida noturna sempre foi relativamente restrito. Com isso, sempre que surgia uma nova casa noturna, era comum que uma parcela significativa do público migrasse para conhecer a novidade. Esse movimento enfraquecia os estabelecimentos já consolidados, que muitas vezes perdiam faturamento e tinham dificuldades para manter a operação. Outro fator importante foi o aumento dos custos operacionais ao longo dos anos, somado às mudanças no comportamento do consumidor. Com o crescimento das opções de lazer, do entretenimento digital e das redes sociais, as pessoas passaram a sair com menos frequência ou a buscar experiências diferentes. A combinação desses fatores fez com que muitas casas noturnas tradicionais de Salvador não conseguissem se sustentar financeiramente, levando ao fechamento ou à necessidade de reinventar seus modelos de negócio”.
“O sentimento é, principalmente, de saudosismo. É muito gratificante encontrar antigos frequentadores e ouvir histórias, lembranças e experiências que viveram nessas casas. Esses encontros mostram que o empreendimento foi além do entretenimento: fez parte de momentos importantes da vida de muitas pessoas. Saber que, mesmo após tantas décadas , essas casas continuam sendo lembradas com carinho é motivo de orgulho e a confirmação de que elas deixaram uma marca na memória afetiva de uma geração inteira. Sempre digo que quem viveu aquela época foi privilegiado. Foram décadas especiais, que dificilmente voltarão a se repetir da mesma forma. Acredito que o principal legado das casas tenham sido fazer parte de um período muito especial da vida noturna de Salvador. Foi uma época marcada por grandes encontros, boa música, convivência presencial e momentos que ficaram na memória de milhares de pessoas. Quem viveu aquele período sabe a dimensão do que representou. Sinto até hoje um grande saudosismo, porque considero que fui privilegiado por ter participado daquela fase da cidade. Na minha opinião, era um tempo com características muito próprias, que dificilmente voltarão a existir da mesma forma. Se as casas ainda são lembradas depois de tantos anos, é porque elas deixaram de ser apenas um empreendimento comercial e passou a fazer parte da memória afetiva de uma geração que viveu intensamente a vida noturna de Salvador”, afirmou.
A nova geração que passa hoje pelos antigos imóveis dificilmente sabe o que funcionava ali. Até mesmo quem viveu essa época muitas vezes já até apagou da memória. As pistas deram lugar a novos empreendimentos. Os camarotes foram destruídos e as luzes foram apagadas.
Entretanto, o simples ato de mencionar alguns dos nomes dessas antigas boates vai lá no fundo do baú e resgata milhares de lembranças na memória dos soteropolitanos em um ato coletivo de compartilhamento de nostalgia.
O que aconteceu com a noite de Salvador?
Mudaram-se os hábitos de consumo, a forma de conhecer pessoas, a economia, os interesses, o tempo... Mudou, sobretudo, a maneira como os jovens ocupam a cidade.
A pergunta que não quer calar é: a noite acabou ou apenas mudou de endereço? Para o diretor teatral e gestor cultural Fernando Guerreiro, a noite perdeu "ousadia".
Então, eu tenho a sensação de que a noite perdeu um pouco de diversidade, de ousadia.Ficou mais comportada, ficou mais segmentada, né?Assim, as famosas bolhas, né?E associado a isso, eu percebo que a cidade está indo dormir mais cedo, tá?Eu acho que a questão da segurança está pesando.Aquela coisa de 'vamos esticar', começou a perder um pouco força. A não ser nos dois polos que você tem hoje, que eu considero que é Rio Vermelho e Santo Antônio. Mesmo nesses dois lugares, eu acho que você não tem aquela agitação que você tinha antes, até de manhã", disse.
Guerreiro, que também é presidente da Fundação Gregório de Matos, órgão vinculado à Secretaria de Cultura e Turismo (SECULT) de Salvador, que tem como finalidade formular e executar a política cultural da capital, apontou ainda a mudança na forma de se relacionar das pessoas como fator determinante para o fim dessas casas.
Muita gente hoje prefere ficar conversando no celular.O contato pessoal perdeu muito. Hoje, esse hábito de você encontrar pessoas, muita gente hoje não quer mais viver isso presencialmente,porque a rede social permite a interrupção da conversa.E a gente está vivendo uma época em que tudo é muito rápido,tudo é muito fluido.Então, se você bate um papo e você não se interessa em um site, um aplicativo, por exemplo, você apaga. Pessoalmente, você vai fazer o quê? Levantar e sair correndo?Não. Eu acho que até essa questão de namorar, conhecer gente,foi para a internet.Então, esse hábito de ir para a noite para conhecer pessoasmigrou para a internet. E migrou para uma coisa muito mais fria, esquemática e chatíssima.Que você tem esse controle", pontuou.
Segundo Fernando Guerreiro, pontos de encontros de grupos sociais deixaram de existir com o tempo e prejudicaram o funcionamento dessas casas.
Ponto de encontro.O que é isso?Eu estava conversando de uma forma muito cruelcom algumas pessoas da classe teatral, que é onde eu transito,que a gente só está se encontrando em velório.E o que é que aconteceu?Onde é que a classe teatral se encontrava?No Beco dos Artistas, na escadaria do TCA. Esses pontos, assim como os arquitetos se encontravam no Quintal,os engenheiros.Ou seja, cadê esses lugares de encontro, de categorias?Acabaram. Entendi isso. Também é um outro ponto que é muito difícil.Porque hoje, por exemplo, quantos trabalhos eu fecheino Beco dos Artistas. E hoje, onde é que a classe teatral se reúne?Lugar nenhum. E a outra coisa grave, por exemplo,você sai do TCA, você vai pra onde?Lugar nenhum. Não tem nada ali.Aquele lugar honrou o Campo Grande uma tragédia. Não tem uma opção, né?Campo Grande, vem Garcia, vem Forte de São Pedro.Então, esses pontos de encontro também enfraqueceram muito à noite.A ausência desses lugares,em que você sabia que ia encontrar um determinado grupo de pessoas.Não tem mais isso. Pelo menos que eu saiba.Acho que esvaziou muito."
BNews
E completou:
Então, eu acho que a noite tem um poder cultural muito forte. O show noturno faz falta, a roda de samba.Ou seja, é empobrecimento muito grande. A cultura se dá pelos encontros.A cultura não é feita isoladamente.Na hora que as pessoas não se encontram mais,ou elas se encontram para correr,ninguém conversa correndo. A noite emprega artistas.Na hora que ela se enfraquece,a economia criativa perde. E muito.Várias pessoas deixam de trabalhar.Agora, faltam essas casas icônica", assinalou.
Memórias quase póstumas
Quando se fala em história e lembranças de um lugar, logo se pensa na arquitetura, pontos turísticos e cartões-postais. Mas, memórias de cidades como Salvador vão além dos casarões do Centro Histórico, das igrejas centenárias e dos bairros tradicionais e boêmios. Elas também vivem de espaços onde pessoas comuns celebraram aniversários, conheceram amigos, namorados, maridos, esposas, os amores da vida e construíram narrativas de vida.
A estrutura física e concreta das boates que marcaram época podem até não existir mais, mas as casas noturnas, suas pistas de dança, luzes e camarotes continuam vivas nas fotografias guardadas em caixas em cima dos guarda-roupas ou embaixo das camas, nas playlists que ainda tocam sucessos daqueles anos e, principalmente, nas histórias relembradas.
{# Os assets da galeria (unitegallery) sao injetados em bones/objects.py,
somente quando o artigo tem galeria. #}
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