Cidades
por Analu Teixeira
Publicado em 09/05/2026, às 05h00
Dados recentes, divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), apontam que a Bahia registrou 2.993 mortes em acidentes de trânsito ao longo de 2024, o equivalente a oito vítimas fatais por dia. O número representa um crescimento de 30% e reforça um cenário preocupante marcado pela imprudência, deficiência na fiscalização e falhas estruturais nas vias.
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O aumento das fatalidades preocupa autoridades e entidades ligadas ao setor de mobilidade. Apesar das campanhas educativas e operações de fiscalização realizadas ao longo do ano, os índices seguem elevados nas rodovias estaduais, federais e também nos centros urbanos baianos.
Segundo o diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia, Max Passos, a mudança desse cenário passa diretamente pela conscientização da população.
“Se a gente investir primeiro em educação e depois em fiscalização, eu acho que é o caminho”, afirmou o gestor.
Ainda de acordo com o diretor, cerca de 71% dos acidentes registrados na Bahia envolvem motociclistas, grupo que hoje concentra grande parte das vítimas graves e fatais no estado. O crescimento da frota de motos nos últimos anos, impulsionado principalmente pelos serviços de entrega e transporte por aplicativo, aparece como um dos principais desafios para os órgãos de trânsito.
Em muitos casos, motociclistas acabam expostos a jornadas longas, excesso de velocidade e falta de equipamentos de proteção. Além disso, fatores como consumo de álcool ao volante, uso do celular enquanto dirige, ultrapassagens perigosas e desrespeito à sinalização seguem entre as principais causas dos acidentes.
“Excesso de velocidade, falta de atenção, com o uso de celular ao volante, por exemplo. A alcoolemia também vem sendo um fator importante”, declarou Max Passos.
O impacto também chega ao sistema público de saúde. Segundo dados apresentados pelo Detran-BA, hospitais chegam a registrar ocupação de até 60% a 70% das emergências por vítimas de acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motos. Apenas em 2024, o estado gastou cerca de R$21 milhões com internações relacionadas a acidentes.
Apesar das campanhas do Maio Amarelo e das ações educativas realizadas em Salvador e no interior, especialistas defendem que os investimentos ainda são insuficientes diante da gravidade do problema. Blitzes educativas, palestras em escolas e campanhas de conscientização fazem parte das meninas anunciadas pelo Detran-BA neste ano.
Para o órgão, a educação no trânsito precisa começar ainda na infância. “O governador Jerônimo nos solicitou que o foco para um trânsito mais seguro esteja, diretamente, ligado à educação”, afirmou Max Passos durante lançamento da campanha Maio Amarelo.
Outro problema apontado é a limitação no efetivo para fiscalização. O próprio diretor do Detran reconheceu que o órgão depende diretamente da atuação da Polícia Militar para ampliar as operações no estado.
“Sem a Polícia Militar, a gente não conseguiria fazer nem 10% das fiscalizações que a gente faz”, disse.
Em Salvador, algumas vias aparecem entre as mais perigosas da capital, segundo estudos da Transalvador. Avenida Paralela, Suburbana, BR-324 e regiões como Bonocô e Iguatemi concentram parte significativa dos acidentes fatais.
Além da imprudência, especialistas também chamam atenção para problemas de infraestrutura, como sinalização precária, iluminação insuficiente e condições ruins das estradas em diferentes regiões da Bahia.
Enquanto os números seguem crescendo, o desafio das autoridades é encontrar formas efetivas de reduzir as mortes e transformar a conscientização em mudança real de comportamento. Afinal, por trás das estatísticas, estão histórias interrompidas diariamente no trânsito baiano.
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