Cidades

Passagem para o perigo: O descaso nos elevadores em edifícios no Centro Histórico de Salvador

Joilson César / BNews
Após denúncias, a equipe do BNews visitou edifícios no Centro Histórico de Salvador e constatou diversas irregularidades  |   Bnews - Divulgação Joilson César / BNews

Publicado em 25/08/2024, às 05h00 - Atualizado às 05h00   Alex Torres e Marco Dias



No coração do Centro Histórico de Salvador, onde a arquitetura colonial narra histórias de um passado cercado de casarões antigos, edifícios tradicionais repletos de personalidade, os elevadores que conectam os andares dessas construções revelam um descaso com esse lado da cidade. 

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Estruturas antigas e muitas vezes danificadas. A situação dos prédios localizados no Centro Histórico expõe um cenário de degradação e que inspira cuidados para aqueles que precisam frequentar o local. 

No caso dos edifícios administrativos, o cenário passa a ser mais preocupante, uma vez que as pessoas frequentam de forma cotidiana o espaço, contando com equipamentos como elevadores, que necessitam de manutenção periódica. 

Com isso em mente, a equipe do BNews foi às ruas e observou os elevadores dos prédios da região. Denúncias encaminhadas à reportagem apontam para falta de iluminação, pisos com instabilidade, ferrugem em portas e paredes, além da falta de reforma, colocando em risco aqueles que precisam utilizar o equipamento diariamente.

Coordenador da empresa T3, especializada em segurança do trabalho e higiene ocupacional, o técnico Anderson Silva explicou como funciona a questão de manutenção dos elevadores nos edifícios e revelou que as necessidades podem variar de acordo com cada equipamento. 

Existe um programa de manutenção que é específico para cada empresa, porque cada elevador tem suas especificidades. Essa parte mais técnica são as empresas que passam para a construtoras, e essa empresa que fornece o elevador fica a cargo desse plano de manutenção ou sob a responsabilidade da administração do prédio com seus técnicos de manutenção", afirmou Anderson. 

Edifício Bahia Center (anexo Emerson José)

Responsável por abrigar os gabinetes dos vereadores da capital baiana, o anexo Emerson José, do edifício Bahia Center localizado na rua Ruy Barbosa, n. 23, foi um dos locais que apresentaram problemas nos elevadores. Denúncias encaminhadas ao BNews apontaram que o prédio pertencente à Câmara Municipal de Salvador (CMS) apresentava piso com instabilidade e falha no sistema de iluminação. 

A iluminação deve existir dentro de todos os elevadores e precisa ser em LED. Não pode ser de lâmpada fluorescente, por conta da segurança, caso a lâmpada estoure ou queime ali dentro. Os estilhaços não podem cair nas pessoas que estão usando o equipamento", disse Anderson. 

Quanto à instabilidade do piso, o técnico em segurança explicou:

Se o elevador não tiver um pouquinho desse solavanco, geralmente é porque existe muita pressão de um lado e pouca pressão do outro [...] O piso do elevador não pode demonstrar instabilidade, nenhuma fissura e nem meio solto. As laterais precisam estar rentes, sem aquelas lombadas. E com relação aos ruídos, se estiver balançando muito, pode ser falta de manutenção nos cabos ou falta de manutenção no motor do elevador", complementou.

Procurada pela reportagem, a assessoria da CMS encaminhou o relatório do serviço de manutenção do elevador, emitido no último dia 25 de julho. Segundo o documento, a última manutenção preventiva do equipamento foi realizada em 28 de junho deste ano e destaca que uma empresa foi contratada para modernizar todos os equipamentos pertencentes ao órgão legislativo. A ordem de serviço foi dada no dia 17 de junho. 

Edifício Rio Lima

Administrativo por essência, o edifício Rio Lima é outro anexo da Câmara Municipal de Salvador, também localizado na rua Ruy Barbosa, n. 19, e foi um dos alvos das denúncias de quem precisa passar diariamente pela região. Na denúncia encaminhada para a reportagem do BNews, o problema recorrente envolve o sucateamento da estrutura. 

A má conservação do elevador promove o acúmulo de sujeira. Além disso, uma das fontes entrevistadas, que preferiu não se identificar, relatou que uma diretriz do edifício é que as viagens entre os andares sejam feitas, no máximo, com três pessoas, mesmo que a capacidade permita até cinco indivíduos no espaço. 

É muita sujeira. Além de ser pequeno, se tiver mais de três pessoas do lado de dentro, o elevador trava”, revelou a fonte. 

O técnico Anderson Silva explica que não há um mínimo de pessoas recomendado como padrão para um elevador, já que cada modelo “tem suas especificações e também depende da capacidade do projeto do prédio”. 

Os prédios mais antigos tinham essa capacidade [até 3 pessoas] e alguns em Salvador ainda comportam apenas uma pessoa, principalmente na região do Campo Grande. Os prédios mais novos de Salvador podem comportar até 15 pessoas tranquilamente, mas isso vai da estrutura e também de cada fornecedor", explica Silva. 

Vale lembrar, porém, que tanto o anexo Emerson José quanto o anexo Rio Lima passaram a abrigar os gabinetes dos vereadores da CMS em outubro de 2021, após estudo técnico e adaptações na estrutura dos edifícios, planejadas pela gestão municipal. 

No relatório do serviço de manutenção do elevador encaminhado pela assessoria da CMS, a última manutenção preventiva do equipamento foi realizada em 28 de junho deste ano e destaca que uma empresa foi contratada para modernizar todos os equipamentos pertencentes ao órgão legislativo.

Foram feitas as seguintes rotinas de manutenção: limpeza da casa de máquina, lubrificação das portas de andar, lubrificação das guias, limpeza do quadro de comando, entre outros”, é o que se tem escrito na ordem de serviço do edifício, onde o problema constatado foi o “interruptor da caixa de inspeção travado”. 

Edifício Bráulio Xavier 

A situação mais preocupante foi identificada no edifício Bráulio Xavier, situado na Rua Chile, nº 22, na Praça da Sé. Diversas denúncias enviadas à redação do BNews revelaram que locatários, clientes, funcionários e trabalhadores do local enfrentam uma série de problemas, como ferrugem na estrutura, portas que rangem ao abrir e fechar, elevador instável e falta de iluminação.

O edifício é comercial, e abriga a sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), além de ter uma sala de propriedade estadual que, conforme relatado pelas fontes entrevistadas, que não quiseram se identificar, serve como arquivo morto. 

Há manutenção preventiva mensal e corretiva quando necessário. No momento, estamos modernizando o outro elevador com previsão de entrega em dezembro de 2024. Também já está comprado um novo operador de porta para substituir o antigo”, assegurou o síndico do edifício. 

Edifício Sulamerica 

A sede da Procuradoria Geral do Município de Salvador também não ficou imune às denúncias de má conservação dos elevadores. Em visita ao edifício situado na Travessa da Ajuda, a equipe do BNews constatou arranhões em toda a estrutura, moldada por uma estrutura antiga e rangidos durante o deslocamento entre os andares. 

Questionado pela reportagem sobre um prazo de validade para os elevadores, o técnico Anderson Silva enfatizou que não há nenhuma normativa sobre o assunto. 

“O que acontece é que, por conta da quantidade de uso diária, mensal ou anual, é que precisa verificar se os componentes daquele elevador ainda suportam o número de pessoas que está frequentando o prédio. Quanto mais tempo passa, mais pessoas utilizam aquele elevador e, se não tiver um plano de manutenção bom, é hora de realizar a troca. Precisa haver essa manutenção do maquinário", explica Silva. 

Procurada pela equipe do BNews, a administração do edifício Sulamerica solicitou o laudo de manutenção do elevador para a empresa responsável, mas ainda não deu um retorno sobre o assunto. O espaço segue aberto. 

Classificação Indicativa: Livre

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