Justiça

Caso Sara Freitas: Juiz diz que advogados de réus simularam ineditismo para abandonar julgamento

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Segundo o magistrado, um dos advogados chegou a fazer gravações ilícitas de imagens do plenário.  |   Bnews - Divulgação Reprodução
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por Redação Bnews

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Publicado em 27/11/2025, às 11h23 - Atualizado às 11h50



O juiz Bernardo Mário Dantas Lubambo, da Vara Criminal de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, afirmou em decisão publicada na terça-feira (25) que os 13 advogados que atuavam na defesa dos réus do caso que apura o homicídio da cantora gospel Sara Freitas abandonaram o plenário do Tribunal do Júri de forma premeditada e sem justificativa válida.

O magistrado declarou que os defensores cometeram “ato atentatório à dignidade da Justiça” e enviará o caso para análise da OAB. Na decisão, o juiz determinou que o julgamento vai ocorrer no 24 de fevereiro de 2026, às 8h30, novamente no Fórum da Comarca de Dias d’Ávila.

Abandono simultâneo
O julgamento começou na manhã de terça-feira e foi suspenso porque, segundo o juiz, as defesas deixaram o salão do júri ao mesmo tempo.

“Trata-se de deliberações posteriores à suspensão da sessão [...] devido ao abandono simultâneo dos 13 advogados que atenderam ao pregão.”

Entre os réus estão Weslen Pablo Correia de Jesus, representado por Gabriel da Fonseca Cortes, e Ederlan Santos Mariano, assistido por outros membros da equipe de defesa.

O juiz relata que um advogado, ainda não identificado oficialmente, se apresentou dizendo atuar na defesa de Weslen Pablo e pediu o adiamento da sessão. O pedido foi negado:

“Ouvindo-o, este Juízo refutou seus argumentos e indeferiu a petição.”

Mesmo assim, segundo o juiz, o advogado não registrou seu nome ou número da OAB na ata, apesar de receber uma folha para isso.

Pedido escrito e abandono
Em seguida, o magistrado descreve que esse mesmo advogado entregou um extenso requerimento por escrito:

“O arrazoado [...] é longo, de extensão de quase duzentas linhas... e, em seu epílogo, declarava que a defesa ‘de forma conjunta estava abandonando o julgamento’.”

O juiz afirma que o documento revelava que a saída do grupo já estava decidida antes do início da sessão:

“O extenso arrazoado manejado por escrito pelo advogado por ser identificado e que foi endossado pelos outros doze advogados presentes, deixa muito claro que as defesas já haviam previamente deliberado pela não participação no julgamento. O que restava era apenas simular ineditismo na sua deliberação, o que fizeram verbalmente.”

Alegações de insegurança rejeitadas
A defesa alegou falta de segurança para permanecer no plenário. O magistrado rebateu com firmeza: “É falso que as defesas se sentiram inseguras para a realização do julgamento. Havia policiais militares em número suficiente, cerca de 17, além de 5 viaturas.”

Ele ainda criticou a tentativa de atrelar a presença de público do lado de fora a um ambiente hostil: “Não houve qualquer risco à segurança dos réus; isso provam as imagens captadas pela imprensa”.

O juiz também citou que, ao contrário do que alegou a defesa de Ederlan, todos os jurados já estavam dentro do fórum e isolados, sem contato visual com a chegada dos réus.

Falta de espaço e organização
Outro ponto levantado pelos defensores foi a suposta falta de lugar adequado para todos. Na decisão, o magistrado respondeu de forma direta:

“Chega a ser embaraçoso ter de declarar que compareceram exatos 13 advogados... Todos esses advogados tiveram assento assegurado.”

Ele ainda afirmou que alguns advogados chegaram a filmar o plenário com celular, causando desconforto entre jurados:

“Alguns inclusive efetuando gravações ilícitas... levando alguns jurados a desconfiar e reclamar que suas imagens estavam sendo captadas.”

Advogados serão informados à OAB
O juiz também decidiu adotar medidas duras contra os advogados. Ele declarou que todos os advogados incorreram em ato atentatório à dignidade da Justiça e determinou o envio de um ofício à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que a entidade avalie a conduta dos 13 profissionais que deixaram o plenário. 

Além disso, ordenou que os réus sejam intimados pessoalmente para nomearem novos advogados no prazo de cinco dias, sob pena de serem representados pela Defensoria Pública caso a situação se repita. O magistrado ainda exigiu que o advogado que participou da sessão sem se identificar oficialmente apresente o substabelecimento que afirmou possuir.

O CRIME

A cantora gospel Sara Freitas foi assassinada em 24 de outubro de 2023, em um crime que chocou a Bahia e ganhou repercussão nacional. O caso envolve quatro acusados, sendo um já condenado e três ainda aguardando julgamento por feminicídio, ocultação de cadáver e associação criminosa.

O que aconteceu

Sara Freitas foi morta de forma cruel e premeditada. Segundo o Ministério Público da Bahia, o crime foi cometido por motivo torpe, com meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima.

Ela foi levada ao local do assassinato por Gideão Duarte de Lima, ex-motorista de aplicativo, que já foi julgado e condenado em abril de 2025 a 20 anos e 4 meses de prisão.

Quem são os acusados

Três réus ainda aguardam julgamento:

  • Ederlan Santos Mariano: ex-marido de Sara, apontado como o mandante do crime.
  • Weslen Pablo Correia de Jesus (Bispo Zadoque): líder religioso, acusado de ser o executor.
  • Victor Gabriel Oliveira Neves: teria ajudado a segurar a vítima durante o assassinato.

Todos estão presos preventivamente e serão julgados pelo Tribunal do Júri de Dias D’Ávila.

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