Justiça

Direto de Lisboa: Presidente da CNI comenta tarifaço dos EUA sobre o Brasil: 'Eivado de injustiças'

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Em entrevista ao BNews, Ricardo Alban fala em pressão por causa do Pix e de Big Techs, mas vê espaço para negociação com os EUA  |   Bnews - Divulgação Bnews TV
Antonio Dilson Neto e Claudia Cardozo

por Antonio Dilson Neto e Claudia Cardozo

Publicado em 02/06/2026, às 16h41



O anúncio da proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras ecoou imediatamente nos bastidores do XIV Fórum de Lisboa, em Portugal. Em entrevista exclusiva concedida à equipe do portal BNews, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, classificou a medida como "lamentável" e cobrou uma mudança drástica de postura do setor produtivo e do governo brasileiro frente ao cenário internacional.

Para o líder industrial, o caráter amplo da punição americana penaliza cadeias produtivas que são complementares e dependentes do mercado brasileiro.

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É lamentável como estamos discutindo tantos outros pontos com os Estados Unidos agora e, certamente, uma decisão tão genérica assim é eivada de injustiças. 

Alban defendeu que o Brasil abandone passe a adotar as mesmas ferramentas de proteção de mercado utilizadas pelas maiores potências do planeta. De acordo com ele, a geopolítica atual exige que o conceito de defesa comercial seja incorporado de forma definitiva à política industrial do país.

Agora é hora de o Brasil se debruçar, definitivamente e de forma compartilhada com o setor produtivo, na verdadeira defesa comercial. Os Estados Unidos estão fazendo a defesa comercial do seu país. O que a Europa tem feito, e vai fazer mais ainda, é a defesa comercial do seu bloco europeu. É o que faz o Japão, é o que faz a China. E nós temos que fazer"

Ao ser questionado se a ofensiva da gestão de Donald Trump teria motivações de cunho político, visto que os norte-americanos possuem superávit comercial com o Brasil, o presidente da CNI divergiu.

Ele apontou que os motivos reais estão ancorados na soberania tecnológica e financeira nacional, como o avanço das ferramentas de pagamento brasileiras e o embate em torno das gigantes digitais.

 Não acredito que essa decisão agora foi de caráter político, mas sim de caráter econômico, com as suas nuances. Se existe espaço ainda de negociar? Existe."

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