Justiça
por Claudia Cardozo
Publicado em 13/03/2026, às 17h00 - Atualizado em 16/03/2026, às 10h30
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) oficializou a contratação da CS Brasil Frotas S.A. para assumir o fornecimento de sua nova frota de representação e suporte administrativo. A apuração do BNews detalha que o chamado "Lote 02" da licitação foi fechado pelo valor global de R$ 13.609.886,40.
O contrato chega em um momento crítico para a Corte, que recentemente admitiu enfrentar um verdadeiro "apagão" logístico, recorrendo a frotas emergenciais improvisadas, que vieram à tona com o acidente envolvendo o chefe do cerimonial do TJBA.

Diferente das estimativas iniciais, o BNews teve acesso a planilha de custos da licitação, que revela que o Lote 02 é composto por 90 veículos, divididos entre modelos sedan e picapes de luxo. A estratégia do tribunal foca em veículos novos (zero quilômetro) e com alto desempenho.
Ao final dos 24 meses de contrato, o custo médio mensal por unidade (considerando a mistura de modelos) gira em torno de R$ 6.300,00, mas o impacto anual do lote ultrapassa a marca de R$ 6,8 milhões.
A vencedora, CS Brasil, não é uma desconhecida no mercado. Ela é a maior companhia de Gestão e Terceirização de Frotas (GTF) voltada ao setor público no Brasil e pertence ao Grupo Simpar, que controla marcas como Movida e JSL. Com um faturamento bilionário, o grupo foi escolhido justamente por possuir a "saúde financeira" exigida pelo TJBA para garantir que o serviço não sofra novas interrupções.
O tribunal defende que o modelo de locação "full service" é mais vantajoso que a compra. No valor pago mensalmente, a CS Brasil assume toda a a despesa burocrática e mecânica, como manutenção e seguro, carro reserva em caso de algum veículo apresentar problema. Assim, o TJBA elimina o gasto com uma frota própria antiga, cuja manutenção em muitos casos já superava o valor de mercado dos veículos.
A apuração do BNews recorda que, antes de fechar este contrato milionário, o TJBA tentou um edital para conseguir carros elétricos via comodato (sem custos), mas o mercado não demonstrou interesse. Sem a opção "gratuita", a Corte voltou-se para a locação de alto padrão.
Para além dos números, a renovação da frota com veículos de luxo e picapes 4x4 turbo, em um estado que enfrenta severas carências sociais, levanta o debate sobre a prioridade dos gastos públicos. Embora a segurança e a mobilidade de magistrados e servidores sejam essenciais para o funcionamento da Justiça, o custo de quase R$ 10 mil mensais por uma única caminhonete alugada gera questionamentos sobre as necessidades do judiciário baiano.
Em nota, a empresa se manifestou:
A empresa informa que participou do processo licitatório do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) em conformidade com os requisitos previstos no edital e na legislação aplicável. Atualmente, a companhia encontra-se na fase de assinatura dos contratos oriundos da licitação.
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