Justiça
O destino do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) será decidido nesta quarta-feira (19), quando os 65 desembargadores ativos da Corte escolherão a nova mesa diretora. Após meses de articulação que começaram a ganhar corpo discretamente nos bastidores, ainda em julho, a campanha entrou oficialmente na reta final com a homologação dos três candidatos e a apresentação de seus planos de gestão. O desembargador Baltazar Miranda desistiu de concorrer à Presidência.
Na última sexta-feira (14), os desembargadores José Rotondano, Jatahy Fonseca e Ivone Bessa Ramos, exatamente nesta ordem, tiveram 15 minutos regimentais para expor suas ideias ao Plenário, com o objetivo de conquistar o voto dos pares.

José Rotondano
O desembargador José Rotondano iniciou sua fala pedindo licença para "quebrar, em parte, o protocolo", buscando se conectar com a essência do momento. Ele ressaltou a experiência de ter atuado como conselheiro no CNJ, defendendo que o seu projeto é comprometido com o fortalecimento das carreiras e que, mais do que tudo, assume um "compromisso público de que não haverá retrocessos" nos ganhos da magistratura e dos servidores. O candidato estruturou seu plano em 13 eixos, focando no "cuidado com as pessoas que integram o TJBA". Entre as propostas de gestão, destacam-se a criação da Secretaria de Estratégia e Projetos para coordenar ações e mutirões de grande porte, e a instituição de uma Seção de Qualidade de Vida no Trabalho e Atenção Psicossocial, sublinhando a importância do bem-estar do capital humano da Corte.

Jatahy Júnior
Na sequência, o desembargador Jatahy Júnior se apresentou encorajado pelas quase quatro décadas de magistratura, definindo o lema de sua gestão como "magistrados e servidores fortes, judiciário eficiente e respeitado". O candidato abordou um ponto importante da Corte: a valorização financeira. Fonseca assumiu o compromisso de defender um novo plano de cargos, salários e vencimentos para os servidores e de fazer um planejamento para a quitação dos passivos remuneratórios, pois, em suas palavras, "isso não pode se eternizar". O reforço estrutural no primeiro grau foi outra prioridade levantada, propondo a ampliação do número de assessores por gabinete para aumentar a produtividade. Em relação à segurança, destacou a necessidade de implementar uma política permanente de segurança institucional, com a criação de uma Polícia Judiciária e o fomento à blindagem de veículos dos magistrados que atuam em Varas Criminais, em um cenário de criminalidade organizada crescente.

Ivone Bessa
Fechando a rodada de apresentações, a desembargadora Ivone Bessa Ramos baseou seu plano em duas diretrizes: "Legado Transformador" e "Inovação Disruptiva". Com 36 anos de experiência na Magistratura, mais o tempo em que exerceu a advocacia, ela propôs o uso de tecnologia de ponta para posicionar o TJBA na vanguarda digital. A desembargadora enfatizou a importância do capital humano, com a criação do Laboratório de Bem-Estar Corporativo e o fortalecimento da capacitação, especialmente em Inteligência Artificial (IA), tema que, segundo ela, deve ser central na formação contínua. Em termos de modernização, sua gestão pretende expandir o sistema AUDIN (Audiências Inteligentes) com IA e desenvolver a Automação Robótica de Processos (RPA). Ivone Bessa Ramos também propôs o Radar Processual, um sistema de inteligência operacional que visa identificar processos críticos e reduzir o tempo médio de tramitação da justiça, com o objetivo de superar as metas do CNJ. A candidata encerrou o discurso reafirmando que seu projeto "se forjou e amadureceu" ao longo de sua trajetória no Tribunal, representando um "sonho coletivo".
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