Justiça

Se Governe: Você é um mal perdedor?

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Publicado em 27/10/2026, às 16h00   Thiago Dória



Se o título lhe gerou gatilhos ou você veio aqui atrás de mais uma treta política, sugiro que respire fundo e anote isso para conversar na terapia. Sua família, sua empresa, sua comunidade e seu país precisam que você cultive sensatez e equilíbrio - e é justamente sobre isso que eu quero falar.

Quando estudamos Governança Corporativa, vemos as inegáveis vantagens de trabalhar antecipadamente as divergências e conflitos, prevendo políticas e processos claros, eficazes, e de conhecimento de todos. Também percebemos os benefícios da observância aos princípios de integridade, transparência, equidade, responsabilização e sustentabilidade para que as decisões sejam tomadas em prol dos interesses da organização, e como tudo isso fica mais fácil em empresas que contam com Conselhos de Administração.

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Há milênios nós delegamos decisões importantes a conselhos e órgãos colegiados, porque além de reunir pessoas experientes e qualificadas, esse tipo de grupo tende a fazer escolhas mais equilibradas e ponderadas. Em outras palavras, o debate entre duas ou mais pessoas reduz a ocorrência de erros individuais (errare humanum est) e fortalece as decisões, porque precisa enfrentar e superar mais objeções.

O Código de Melhores Práticas do IBGC recomenda que “toda organização deve considerar a implementação de um conselho de administração”, e prevê que o seu papel é o de “guardião do propósito, dos valores, do objeto social da organização e de seu sistema de governança”. Por isso mesmo, é do conselho o dever de definir a estratégia e acompanhar o seu cumprimento. Em particular, o Código ainda recomenda que o conselho busque prevenir, identificar e tratar situações de conflito de interesses e administrar divergências de opiniões, para que o interesse da organização prevaleça sempre.

Trabalhar em colegiado não é tarefa simples, é verdade, mas a formação de um bom conselho de administração pode ser muito proveitoso para as empresas. De um lado, é necessário ter atenção à complementariedade e pluralidade na sua formação, pois um colegiado de iguais tende a ser menos rico, e mais míope. Do outro, o compromisso de todos os conselheiros com o propósito e os melhores interesses da organização é inegociável. Por fim, de maneira muito especial, um bom presidente é capaz de sondar os seus pares constantemente, instigando a ponderação e encaminhando consensos, principalmente para as decisões difíceis.

A unanimidade eterna é impossível, e as divergências mais duras serão invariavelmente superadas pelo voto da maioria. O mais importante é que o conselho sempre consiga encaminhar os debates em alto nível, para uma deliberação fundamentada e de qualidade. Conselheiros vencidos podem registrar seus votos divergentes em ata, mas essa é uma providência necessária apenas para prevenir responsabilidades pessoais em casos muito delicados. Afora isso, encerrada a reunião e deliberado o ponto, passa a ser de todo o conselho a atribuição de implementar as decisões e acompanhar o seu cumprimento. Com sensatez e equilíbrio.

Thiago Dória
Advogado, Conselheiro de Administração (CCA-IBGC) e Mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas

Classificação Indicativa: Livre

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