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BNews Novembro Negro: Conheça as histórias de mulheres negras que mudam o Brasil

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Conheça as histórias da major Denice, da vereadora Marta Rodrigues e da biomédica Jaqueline Goes  |   Bnews - Divulgação Colagem Bnews
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 22/11/2025, às 07h00



Donas de si, as mulheres negras seguem em marcha, firmes e luminosas, ocupando os espaços que, por direito e essência, sempre lhes pertenceram. Seja na segurança pública, na medicina ou na política, elas afirmam, com voz e presença, a verdade que o tempo não apaga: são senhoras do próprio destino.

No especial Novembro Negro, o BNews ouviu mulheres que, em seus passos diários, escrevem seus nomes na história e, com eles, o de tantas outras que vieram antes e das que ainda virão. 

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Aprovada no primeiro concurso para mulheres da Polícia Militar da Bahia e membro da primeira turma de sargentos da PM-BA em 1990, Denice Santiago, popularmente conhecida como Major Denice, completou 35 anos de carreira na polícia baiana este ano. Ela ingressou na carreira policial por meio de uma dica familiar.

“Quando completei 18 anos e terminei o ensino médio, minha tia, que era delegada, contou ao meu pai sobre a abertura do concurso da Polícia Militar. Preocupado com meu futuro, ele me incentivou a participar. Foi assim que prestei o primeiro concurso para mulheres da PM da Bahia e passei para soldado. Durante o processo, abriram também o concurso para sargento; decidi tentar e fui aprovada novamente, tornando-me parte da primeira turma de sargentos da Polícia Militar da Bahia”, recorda a major. 

Major Denice _AScom Policia Militar da Bahia
Major Denice _AScom Policia Militar da Bahia

Hoje, ocupando o posto de major, alto cargo dentro da corporação, Decine destaca a relevância de mulheres negras em altas patentes dentro da PM. “Para mim, estar em um espaço de poder é algo muito importante e acredito que também seja para outras mulheres negras. Hoje, não sei te dizer exatamente quantas somos, mas sei que há cerca de 30 tenentes-coronéis mulheres, e algumas delas estão em cargos de comando”, conta. 

Em 2024, segundo dados debatidos na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), havia pouco mais de 4,7 mil mulheres na corporação, entre um total de 33 mil profissionais. Para Denice, esse número ainda é insuficiente e precisa crescer.

O que mais me marca é perceber a necessidade de termos mulheres nesses espaços. O olhar feminino é diverso, empático e atento às diferenças. A pandemia mostrou isso: países liderados por mulheres responderam de forma mais humana e cuidadosa aos desafios”, pontuou a major. 

A baixa representatividade feminina, porém, não se restringe ao meio militar, é uma realidade também na política brasileira, incluindo a baiana. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do país. Entre as candidaturas registradas, 34% são femininas, número que corresponde a 11,6 mil mulheres disputando cargos de vereadora, prefeita e vice-prefeita.

Vereadora Marta Rodrigues _ Reprodução:Cadernobaiano
Vereadora Marta Rodrigues _ Reprodução: Cadernobaiano

 Ainda assim, mulheres como a vereadora Marta Rodrigues (PT) seguem abrindo caminhos e plantando sementes para as novas gerações. “Desde muito jovem, eu me envolvi com movimentos comunitários, associações de moradores e coletivos de mulheres negras. A política institucional veio como consequência dessa caminhada. Sempre acreditei que ocupar espaços de poder é fundamental para transformar a realidade das pessoas que mais precisam”, pontou a vereadora baiana. 

Para Marta, as mulheres na política estão escrevendo seus nomes e rompendo barreiras históricas. “A presença de mulheres negras na política ainda é pequena, mas tem crescido com muita força e resistência. Cada mulher negra que ocupa um cargo público quebra barreiras históricas. É um avanço que nasce das lutas coletivas”, afirmou.

Ela também destacou os degraus sistemáticos de desigualdade que essas mulheres enfrentam. “Enfrentamos o racismo, o machismo e as estruturas de poder que tentam nos silenciar. Precisamos garantir não apenas o acesso, mas também a permanência e a valorização dessas mulheres nos espaços de decisão”.

Assim como a construção são coletivas, para a vereador as vitórias também são. “É grande realização coletiva porque mandato é coletivo; não cheguei à vereadora sozinha e não posso ser vereadora estando sozinha”, pontuou.

E continuiu: “Ser vereadora de Salvador, a primeira capital do Brasil e uma cidade de maioria negra, tem um simbolismo profundo. É um grande compromisso poder representar o povo negro que acredita em uma política mais humana, inclusiva e comprometida com justiça social”, adicionou a parlamentar. 

Meu maior sonho é ver mais mulheres negras ocupando a política, liderando secretarias, câmaras e governos”. 
Jaquele Góes _ Divulgação
Jaquele Góes _ Divulgação

Falando em liderança, outra baiana que não apenas liderou, mas também se tornou ícone na história da medicina e da ciência mundial, é a biomédica Jaqueline Goes de Jesus.

Quando criança, talvez ela nunca imaginasse que seria a cientista responsável por sequenciar o genoma do vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, em apenas 48 horas, um feito de enorme repercussão internacional.

“Foi durante o doutorado no PgPAT que obtive as ferramentas intelectuais para a atuação nas atividades que levaram ao sequenciamento do genoma do coronavírus”, contou Jaqueline em entrevista à Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Formada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Jaqueline é mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa pelo Instituto Gonçalo Moniz (Fundação Oswaldo Cruz) e doutora em Patologia Humana pela Ufba.

Como mulher negra e cientista, ela enfatiza a importância da produção científica brasileira e da representatividade na pesquisa. “Acredito que esse feito ajudou a nossa população a se aproximar mais do que é fazer ciência e a compreender a necessidade de apoiá-la. Creio que a mudança que queremos, com mais investimento em saúde pública e em pesquisas, precisa de apoio popular. E talvez tenhamos conseguido mostrar um pouco da importância da ciência no contexto atual”, afirmou.

Em reconhecimento à sua contribuição científica e social, Jaqueline foi homenageada pela Mattel, que lançou uma Barbie inspirada nela, a Barbie Dra. Jaqueline Goes.

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