Cultura
por Cauan Borges
borgesjornalismo2023@gmail.com
Publicado em 03/09/2026, às 15h38 - Atualizado às 15h43
O Vale do Capão, na Chapada Diamantina, volta a receber uma programação dedicada ao jazz e à música brasileira em setembro. A 13ª edição do Festival de Jazz do Capão acontece nos dias 18 e 19 de setembro, no Circo do Capão, em Palmeiras, a cerca de 440 quilômetros de Salvador. Os shows são gratuitos e começam às 19h na sexta-feira (18) e às 18h no sábado (19).
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Criado há 16 anos, o festival mantém a proposta de aproximar artistas de diferentes trajetórias e colocar em contato a produção musical nacional com músicos do próprio Vale do Capão e projetos desenvolvidos na Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Neste ano, uma das principais apostas da programação está justamente nesses cruzamentos. O festival terá apresentações concebidas a partir de encontros entre músicos que não costumam dividir o palco, além da Mostra Capão, voltada para artistas da região, e da Mostra UFBA, que levará ao evento um projeto selecionado pela Escola de Música da universidade.
A ideia de criar apresentações a partir desses encontros não é exatamente nova no festival. Segundo o diretor artístico e curador Rowney Scott, experiências anteriores reuniram músicos locais, artistas estrangeiros e nomes da cena de Salvador.
Enquanto curador sinto que esse movimento vem sendo experimentado já há alguns anos, como no encontro de quatro músicos locais na Mostra Capão em 2021; o pianista americano Michael Cain em colaboração com músicos soteropolitanos em 2024; Luiza Britto e o Trio Cravo e Canela em 2025”, afirmou.
Entre as atividades do festival de jazz estão os encontros de Tiago Nunes e Alana Gabriela, Nilton e Lucas, Daniel convida, além do Quarteto Emmbra, formado por mulheres instrumentistas e compositoras. Além dos shows, o público poderá participar de dois workshops gratuitos no Coreto da Vila, ambos às 14h.
A relação com o território também faz parte da identidade construída pelo festival ao longo dos anos. Realizado em meio à Chapada Diamantina, o evento combina a programação musical com discussões relacionadas à cultura, ao meio ambiente e às questões sociais que atravessam a sociedade contemporânea.
Para Rowney Scott, os encontros propostos pelo festival também carregam uma dimensão que vai além da música. O curador relaciona a experiência coletiva proporcionada pelas apresentações a um momento marcado, segundo o artista, pelo isolamento e pela dificuldade de conviver com diferenças.
Sinto que os encontros estão sendo muito importantes num momento da humanidade onde a individualidade e a solidão levam muitas vezes a uma atitude de auto centramento, egoísmo, falta de empatia e dificuldade de lidar com o diferente, o diverso”, afirmou.
Scott também relaciona esse cenário às relações pessoais e às disputas políticas e defende que o festival funcione como espaço de convivência e criação coletiva: “Que o FJC 2026 seja um adubo rico para criações e musicalidades, conciliações e generosidades. Viva os encontros! Viva o Festival de Jazz do Capão!”, concluiu.
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