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BNews Mineração: Bahia vive alto risco hídrico, alerta estudo sobre impacto do setor na crise climática

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Minerais em transição energética tem impulsionado crises climáticas ao redor do país  |   Bnews - Divulgação Divulgação / gov.br

Publicado em 29/04/2025, às 11h26 - Atualizado às 11h37   Publicado por Vagner Ferreira



Estudo do Observatório da Mineração aponta que a alta demanda por minerais na chamada transição energética tem agravado crises climáticas no Brasil, incluindo na Bahia. Entre os efeitos observados estão secas severas e chuvas intensas fora de época, além de precipitações mais escassas ao longo do ano.

“A mineração tem se vendido como uma ‘solução’ verde e sustentável para a transição energética. Estamos saindo de uma dependência fóssil para outra, ainda maior, baseada em minerais, que requer a abertura de centenas, talvez milhares, de minas em áreas sensíveis, como a Amazônia e o Cerrado”, afirmou o diretor do Observatório, Maurício Angelo, à Agência Brasil.

Segundo o levantamento, a expansão da mineração ameaça agravar a escassez hídrica nas bacias hidrográficas. “A extensão dos rios já diminuiu em grande parte de Minas Gerais, Goiás e Bahia, apontando para a redução da disponibilidade de água e o aumento da competição por recursos”, diz o relatório.

Outro ponto de alerta é o impacto sobre a geração de energia elétrica, especialmente hidrelétrica, que pode ser comprometida. “As siderúrgicas e a mineração consomem uma quantidade desproporcional de eletricidade, utilizando cerca de 11% da produção nacional em 2021, embora representem apenas 3% do PIB [Produto Interno Bruto]”, aponta o documento.

As bacias da Bahia, assim como as de Minas Gerais e Goiás, apresentaram redução de 32% a 39% nas sub-bacias, passando a ser classificadas como áreas de “alto risco”. O ideal, segundo o estudo, seria que essas taxas estivessem abaixo de 10%. “Isso provavelmente é resultado da crescente demanda de água devido ao crescimento populacional e à expansão de atividades industriais como agricultura, geração de energia e mineração”, conclui o relatório.

Maurício Angelo também ressaltou o papel do poder público. “Não é razoável que o Estado se comporte como sócio das mineradoras e abra mão do seu papel de fiscalizador e regulador da atividade mineral”, afirmou.

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