Economia

Gasolina no Brasil está quase R$ 0,10 acima da paridade de importação

Divulgação/Petrobras

o preço da gasolina nas refinarias brasileiras está hoje mais caro do que as cotações internacionais

Publicado em 07/04/2022, às 15h03    Divulgação/Petrobras    Folhapress

Com a queda das cotações internacionais do petróleo e a recuperação do real frente ao dólar nas últimas semanas, o preço da gasolina nas refinarias brasileiras está hoje mais caro do que as cotações internacionais. O mercado, porém, não espera que a estatal promova cortes nesse momento. "Ainda é cedo.

Os preços estão bem alinhados e a volatilidade, muito alta", diz o presidente da Abicom (Associação Brasileira das Importadoras de Combustíveis, Sérgio Araújo.

A entidade calcula que, após o fechamento do pregão de quarta-feira (6), o preço médio da gasolina nas refinarias brasileiras estava R$ 0,09 por litro acima da paridade de importação, conceito usado pela Petrobras em sua política de preços, que simula o custo para importar os produtos.
Foi o segundo dia seguido de diferença favorável aos refinadores brasileiros: na terça (5), o preço médio interno da gasolina estava R$ 0,05 acima da paridade de importação. Nos dias anteriores, esteve praticamente alinhado ao mercado internacional.

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A reversão da defasagem reflete a queda das cotações do petróleo após a liberação de estoques estratégicos dos Estados Unidos e a valorização do real nas últimas semanas. Nesta quarta, o petróleo Brent fechou em US$ 101 (R$ 473) por barril e o dólar, a R$ 4,69.

A melhora nos indicadores reduziu em R$ 0,46 por litro o preço de paridade de importação desde o mega-aumento promovido pela Petrobras há pouco menos de um mês, diz a Abicom. No caso do diesel, o preço de paridade caiu R$ 0,14 no período, mas o preço interno ainda está R$ 0,29 abaixo do internacional.

Nos últimos dois dias, porém, o dólar voltou a subir diante da possibilidade de aumento dos juros nos Estados Unidos, em um sinal de que a volatilidade no mercado segue elevada.
A Petrobras tem repetido que sua política prevê o alinhamento das cotações internacionais dos combustíveis, mas sem o repasse de volatilidades pontuais ao consumidor brasileiro. Antes dos mega-aumentos de março, a empresa havia passado 57 dias sem mexer nos preços da gasolina e do diesel.

A falta de reajustes em um período em que o preço do petróleo disparava em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia gerou questionamentos de acionistas sobre a gestão da companhia. Depois, o repasse gerou forte reação no mundo político.

Os mega-aumentos de preços azedaram de vez as relações do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o presidente da estatal, o general Joaquim Silva e Luna, dando início a um processo conturbado de troca de comando da maior estatal do país.

Nesta quarta, o governo anunciou a indicação do ex-secretário de petróleo e gás do MME (Ministério de Minas e Energia) José Mauro Coelho para a presidência da companhia e de Márcio Weber para presidir o conselho de administração.
Os dois foram escolhidos após a desistência do consultor Adriano Pires e do presidente do Flamengo,

Rodolfo Landim, primeiras opções do governo, cujas nomeações enfrentaram obstáculos na área de governança da Petrobras.
Na avaliação de analistas e investidores, apesar dos apelos de Bolsonaro e aliados por mudanças, Coelho e Weber devem manter a estratégia e a política de preços da companhia.

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