Economia & Mercado
por Vagner Ferreira
Publicado em 18/12/2025, às 08h49 - Atualizado às 08h49
O fundo de Tanure, o Fonte de Saúde, e a gestora do grupo do banco Master, a MAM Asset, estão envolvidos em uma investigação aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
De acordo com o jornal O Globo, a investigação começou após apuração relacionada à Oferta Pública de Aquisição (OPA) da rede de laboratórios Alliança (ex-Alliar), que perdurou por um ano e meio, entre 2022 e 2023.
O ponto de partida foi a compra do controle da Alliança por Nelson Tanure, em abril de 2022. À época, a companhia despertava o interesse de grandes grupos do setor, como Rede D’Or e Fleury. Com a conclusão do negócio, Tanure passou a deter 63,3% do capital da empresa, ultrapassando o limite que, pelas regras do mercado, obriga o acionista controlador a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) – um mecanismo criado para proteger os acionistas minoritários.
A apuração foi aberta porque a área técnica da CVM avaliou que a oferta pública de aquisição (OPA) ocorreu muito depois do prazo normalmente exigido pelas regras do mercado. Tanto a Lei das Sociedades Anônimas quanto a Resolução CVM nº 85, em vigor na época, determinam limites claros para esse tipo de operação, como a obrigação de protocolar a OPA em até 30 dias após a aquisição do controle, o que, segundo o entendimento do órgão, não foi cumprido pelo fundo de Tanure e pela gestora MAM.
Na prática, a OPA só saiu do papel em agosto de 2023, cerca de um ano e quatro meses depois de Tanure assumir o controle da Alliar. A operação foi onerosa: o empresário desembolsou R$ 891 milhões para comprar as ações dos minoritários, elevando sua participação para 93,3%. Hoje, porém, o valor de mercado da Alliança na Bolsa é bem menor, em torno de R$ 622 milhões.
O avanço do processo na CVM acontece em um momento delicado para os envolvidos. O Banco Master, ao qual a MAM Asset está vinculada, foi liquidado pelo Banco Central no mês passado. Já Nelson Tanure enfrenta dificuldades nos negócios: recentemente perdeu o controle da Emae e vem tentando se desfazer dos ativos que restaram após renegociar uma dívida superior a R$ 1 bilhão com credores como Farallon, Prisma e BTG.
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