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Natal e educação financeira: Especialista aborda a magia do Natal que vai além do belo e caro presente

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Escolhas conscientes podem transformar o Natal em conexão e aprendizado, com menos pressão de consumo  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 18/12/2025, às 06h00



A temporada de compras deste fim de ano chega com força. O comércio deve receber volume recorde de R$5,4 bilhões na Black Friday, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O valor representa crescimento de 2,4% em relação ao ano passado, já considerando a inflação. Para o Natal, a expectativa é de um crescimento de até 5% nas vendas totais no varejo em relação a 2024, conforme o Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA). Esse movimento aquece o consumo, mas também aumenta a pressão sobre famílias que, muitas vezes, acabam comprando mais do que podem.

Nesse contexto, itens altamente desejados por crianças ganham destaque nas vitrines, mas nem sempre refletem escolhas conscientes. Muitos presentes são adquiridos por impulso, motivados mais pelo simbolismo da data do que pelo real impacto no desenvolvimento infantil.

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Para o especialista em educação financeira Thiago Godoy, cofundador da Bem Educação, é aí que mora o risco. “Se for para presentear, entregue algo de valor transversal, algo que converse com o futuro daquela criança. Não é sobre o tamanho da caixa, e sim sobre o impacto da escolha no dia a dia”, afirma. Ele reforça que o Natal pode ser usado como oportunidade de reforçar vínculos e ensinar habilidades que acompanham a criança por toda a vida. 

Brincadeiras baratas ou gratuitas podem valer mais que presentes caros

Com o orçamento de muitas famílias apertado no fim do ano, alternativas criativas ganham força. Brincadeiras simples de Natal, como caça ao tesouro, oficinas caseiras, jogos improvisados ou produção coletiva de enfeites, promovem interação, risadas e memória afetiva com custo praticamente zero.

Godoy reforça que essas experiências são poderosas. “Brincadeiras de Natal podem divertir e economizar muito mais do que caixas bem embaladas debaixo da árvore. A criança aprende a colaborar, a imaginar e até a se organizar quando participa das atividades de modo ativo”, comenta. Para o especialista, experiências compartilhadas costumam ter impacto emocional mais profundo do que brinquedos tradicionais.

Cuidado com presentes tecnológicos que afastam da realidade e pesam no bolso

Tablets, celulares e videogames figuram todos os anos entre os itens mais pedidos. Embora possam estimular raciocínio e criatividade, também carregam riscos quando usados sem supervisão. Entre os problemas mais comuns estão isolamento, redução do sono, menor interação social e aumento da ansiedade por recompensas rápidas.

De acordo com o especialista, o equilíbrio é fundamental. “Cuidado com presentes tecnológicos que afastem as crianças da realidade. Quando a tela vira fuga, ela empobrece o desenvolvimento. A família precisa ser guardiã de limites e acordos”, explica. Para ele, se a opção for tecnológica, deve vir acompanhada de regras de uso, supervisão e reforço de atividades offline.

Presentes que incentivam aprendizado, colaboração e desafio

Com um pouco de atenção, é possível escolher presentes que sejam divertidos e, ao mesmo tempo, estimulem competências relevantes para a vida. A ideia é fugir dos itens que só entregam efeito visual imediato e apostar em produtos que promovam exploração, curiosidade e autonomia.

Godoy incentiva escolhas que construam repertório. “Presentes que incentivem o aprendizado, a colaboração e o desafio ajudam a criança a desenvolver autonomia sem perder o lado lúdico. Isso reforça responsabilidade, inteligência emocional e até noções iniciais de educação financeira”, afirma. Entre as opções recomendadas pelo especialista estão:

jogos de tabuleiro colaborativos;

kits de ciência, astronomia ou eletrônica simples;

instrumentos musicais iniciantes;

materiais de artes e construção;

jogos de montar que trabalham lógica;

oficinas e experiências presenciais;

kits de jardinagem.

Intenção é o que transforma o presente em aprendizado

A mensagem principal do especialista é que o presente comunica valores. A escolha, mais do que o preço, revela o que a família acredita ser importante para o futuro daquela criança. “Quando presenteamos com intenção, mostramos que acreditamos no potencial daquela criança. Isso vale muito mais do que qualquer luz piscando”, conclui.

Classificação Indicativa: Livre

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