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Cresce impaciência do PSB com PT em negociação sobre federação partidária

Agência Brasil

Carlos Siqueira esperava que petistas fizessem gesto e abrissem já mão de candidatura em Pernambuco, o que não ocorreu

Publicado em 29/01/2022, às 07h10    Agência Brasil    Folhapress

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, demonstrou irritação com o PT, partido com o qual negocia formar uma federação, e cobrou gestos da legenda em reunião para discutir o cenário eleitoral em Pernambuco nesta semana.

A aliados o dirigente tem reclamado da postura petista, o que leva integrantes da sigla a colocarem em xeque a possibilidade de haver uma união formal entre PT e PSB.

Apesar de as conversas estarem em curso, pessoas próximas de Siqueira e integrantes do PSB não duvidam que possa haver um cavalo de pau na discussão e que ele desista de levar adiante as tratativas pela federação se o PT não fizer as concessões que ele deseja.

Na cúpula petista, por outro lado, a avaliação é que será possível destravar a negociação com o PSB.

Nesta quinta-feira (27), o presidente do PSB encontrou-se com dirigentes e parlamentares do PT e do PC do B para tentar destravar impasses que brecam a junção das siglas. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), e a do PC do B, Luciana Santos (PE), estavam na reunião.

Segundo relatos, Siqueira afirmou que a ocasião era uma oportunidade para o PT fazer gestos ao PSB com o intuito de destravar a montagem da federação e que um deles seria retirar a candidatura do senador Humberto Costa (PT-PE) ao governo do estado, o que os petistas não fizeram.

O dirigente reclamou, então, em tom duro, que o PSB já declarou apoio ao partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em alguns lugares e, até agora, só recebeu sinal de respaldo no Rio de Janeiro, com a candidatura do deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ).

O presidente do PSB avalia como natural o apoio a Freixo porque o considera muito próximo do PT. O PSB reivindica o apoio dos petistas em cinco estados: São Paulo, Pernambuco, Acre, Espírito Santo e Rio de Janeiro (já resolvido).

Em Pernambuco, o impasse se dá porque, como o PSB ainda não apresentou um nome para disputar o governo, o PT lançou o senador Humberto Costa (PT-PE) como opção para governar o estado para pressionar os pessebistas.

O candidato natural do PSB seria o ex-prefeito Geraldo Júlio (PSB-PE), que resiste, no entanto, a entrar na corrida.

Nesta quinta, o governador Paulo Câmara (PSB-PE) disse que a legenda apresentará o nome para disputar a sua sucessão até a próxima terça-feira (1º).

Diante disso, o presidente do PSB esperava que o PT anunciasse a retirada do nome, o que não ocorreu. Pelo contrário. Nesta sexta (28), em novo gesto de pressão, o PT divulgou uma pesquisa encomendada pelo partido que mostra Costa à frente do deputado federal Danilo Cabral (PSB-PE), provável candidato do PSB.

A ideia é mostrar como a candidatura de Costa é competitiva. Em última instância, porém, segundo integrantes da cúpula petista, a tendência é abrir mão da candidatura do senador na semana que vem.

Mas, munidos do resultado da pesquisa, o objetivo é mostrar ao PSB que, ao ceder em Pernambuco, o PT faz um grande esforço já que abre mão de um nome forte para concorrer ao governo do estado e, assim, ganhar fôlego para negociar em outros locais.

"Nós, do PT, reafirmamos o papel do governador Paulo Câmara como coordenador do processo [em Pernambuco], mas reafirmamos as razões da apresentação por parte do diretório estadual da nossa candidatura ao governo", disse Costa à Folha, após participar da reunião de quinta.

Ainda durante a reunião dos dirigentes, houve outro ponto de impasse. A vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, presidente do PC do B, reivindicou a candidatura ao Senado pelo estado.

O PC do B também se declarou favorável a que a cabeça da chapa seja do PSB.

O anúncio pegou integrantes do PT de surpresa. Uma ala de petistas esperava que Luciana agisse para respaldar o pleito de Costa, para que assim o governador Paulo Câmara pudesse se candidatar a um cargo eletivo e tivesse que se desligar antecipadamente do governo. Isso faria com que Luciana assumisse a gestão do estado um período interinamente.

Como isso não vai ocorrer, a vice-governadora decidiu apresentar a reivindicação de concorrer ao Senado.

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"Tenho uma trajetória política larga, fui duas vezes prefeita, reeleita. Sou vice-governadora, então é normal que a gente se coloque para análise da frente popular", disse Luciana.

Se mantiver o pleito, o PC do B disputará com o PT, que também quer concorrer ao Senado.

O nome mais provável dos petistas para entrar na corrida pela vaga é o da deputada Marília Arraes (PT-PE), que terminou em segundo lugar na eleição para prefeita de Recife em 2020.

Além dos impasses em Pernambuco, o estado mais problemático na negociação entre PSB e PT é São Paulo, onde nem Márcio França (PSB-SP) nem o ex-prefeito Fernando Haddad (PT-SP) pretendem abrir mão de disputar o governo do estado.

As cúpulas partidárias pretendem se reunir na semana que vem para debater a situação de São Paulo especificamente.

Nesta quinta, o PT ingressou com uma petição no STF (Supremo Tribunal Federal) para que a corte autorize os partidos a registrarem as federações até 2 de agosto e, se não for possível, até 31 de maio. Hoje o prazo para que isso seja feito é 1º de março.

A demanda foi endereçada ao ministro Luís Roberto Barroso, relator de uma ação na qual o PTB pede que ele derrube a lei que criou as federações sob o argumento de ter sido feita para driblar a cláusula de barreira.

Além da ação do PT no STF, o partido entrou, com PSB e PV com um pedido para que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reveja o prazo estipulado e de até agosto para o registro de federações.

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A formação das federações aumenta as chances de os partidos elegerem um maior número de deputados. Com o fim das coligações, a federação tornou-se importante para os partidos principalmente por facilitar a a eleição de cadeiras na Câmara dos Deputados.

A eleição proporcional distribui as vagas no Legislativo de acordo com a votação de todos os partidos que formam a chapa. Quanto maior for a aliança, maior a chance de eleger deputados.

Além disso, a federação evita que as siglas menores sejam punidas pela cláusula de barreira, que define um percentual mínimo de integrantes da Câmara que devem ser eleitos para que o partido possa existir.

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