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Entenda por que o livro ‘Diário de Tremembé’ foi banido pela Justiça

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Escrito por Acir Filló, o livro foi considerado sensacionalista e violador de privacidade, levando a uma decisão judicial rigorosa  |   Bnews - Divulgação Instagram/@ullissescampbell e Divulgação/Prime Video
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 05/11/2025, às 18h33



O polêmico livro “Diário de Tremembé - O Presídio dos Famosos”, escrito pelo ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos (SP) Acir Filló, foi proibido pela Justiça de São Paulo em agosto de 2019, poucos meses depois de chegar às livrarias. 

A decisão, assinada pela juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da Vara de Execuções Criminais de Taubaté, atendeu a um pedido do Ministério Público, que alegou violação de privacidade, uso indevido de imagem e risco à segurança dentro da unidade prisional. 

Publicado em 2018, o livro prometia mostrar os bastidores da famosa Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo, conhecida por abrigar detentos de grande repercussão nacional.

Filló, que cumpria pena por lavagem de dinheiro, descreveu o convívio com Alexandre Nardoni, Christian Cravinhos, Roger Abdelmassih e outros presos que chocaram o país, em um relato que mesclava bastidores, conversas e histórias de dentro das celas. 

A juíza Sueli Zeraik, no entanto, classificou a obra como “bisbilhotice” e “especulação da vida alheia com fins lucrativos”. Em sua decisão, afirmou que o conteúdo “nem de longe constitui uma biografia”, e que o autor se aproveitou da convivência com outros detentos para escrever um livro de “cunho sensacionalista”.

“Ficou comprovado que apenas três dos detentos mencionados autorizaram formalmente o uso de seus nomes, e dois deles afirmam que Filló distorceu os relatos”, escreveu a magistrada. 

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“Ele se valeu de conversas mantidas no interior do cárcere, conquistou a confiança de outros presos e, deturpando informações, produziu uma obra de cunho torpe e lucrativo.”

A Justiça também determinou multa diária para quem insistisse em vender ou distribuir o livro e ordenou a transferência de Filló para outra unidade prisional, após o presídio relatar que a publicação havia gerado “tensão” entre os internos. 

De acordo com o Ministério Público, várias passagens traziam informações falsas e distorcidas, o que poderia colocar em risco a segurança dentro da penitenciária. Em contrapartida, o autor afirma que o livro foi alvo de censura. 

Em entrevista ao jornal O Globo, Filló disse que “mexeu com gente poderosa”, inclusive o ex-médico Roger Abdelmassih. “Meu livro foi proibido porque mexeu com poderosos. Mesmo preso, Abdelmassih continua influente. Censuraram a obra por causa disso”, disse o ex-prefeito.

“É inadmissível proibir um livro num  país que se diz democrático. Nenhum dos personagens me processou, e o STF já pacificou a questão das biografias”, afirmou.

Filló alega ainda que o objetivo do Diário de Tremembé era denunciar as desigualdades e os privilégios do sistema prisional. Ele afirma que a obra mostrava a diferença de tratamento entre presos comuns e figuras conhecidas. Atualmente, o ex-prefeito cumpre pena em regime aberto.

Mesmo proibido, o livro ganhou fama e passou a circular de forma restrita. Hoje, cópias usadas são vendidas por valores altos, o próprio autor afirma já ter visto exemplares sendo negociados por até R$ 500. 

Classificação Indicativa: Livre

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