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Conheça a rede social que cresceu após Musk comprar o Twitter

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O fundador e CEO do Mastodon, Eugen Rochko, vem publicando números do crescimento da sua plataforma desde 22 de abril

Publicado em 10/05/2022, às 19h27    Reprodução/Instagram @elonrmuskk    Folhapress

A compra do Twitter por Elon Musk, no final de abril, pode ter gerado uma corrida a outra rede social menos conhecida e sem fins lucrativos: o Mastodon.

A plataforma, criada em 2016, permite a publicação de vídeos, fotos e textos de até 500 caracteres em uma linha do tempo que pode ser visitada por outros usuários, um modo de funcionamento bastante semelhante ao do Twitter.


O fundador e CEO do Mastodon, Eugen Rochko, vem publicando números do crescimento da sua plataforma desde 22 de abril, uma semana após a oferta de US$ 43 bilhões pelo gigante da internet.
"O número de usuários ativos mensais do Mastodon aumentou em 84.597 desde a divulgação da história da compra do Twitter", afirmou ele na sua própria rede, em uma publicação de 27 de abril. Dois dias depois, os novos usuários ativos desde o fim de março já estavam em 176 mil.


Ao todo, a rede tem quase 3 milhões de usuários –500 mil deles ativos. No seu último balanço, o Twitter disse ter 217 milhões de usuários ativos.


No Google, a busca por "mastodon" (em português, mastodonte, um animal pré-histórico da família dos mamutes) teve um pico entre os dias 24 e 30 de abril.

Tamanho furor acontece porque a compra dividiu os usuários. O próprio criador da plataforma alternativa disse que uma das coisas que o motivaram a olhar para mídias descentralizadas em 2016 foi

"o boato de que um controverso bilionário poderia comprar o Twitter".
Musk, que se descreve como um absolutista da liberdade de expressão, planeja fechar o capital do Twitter para implementar as mudanças que deseja, o que inclui a revisão das políticas de moderação de conteúdo.


No Brasil, enquanto bolsonaristas celebravam a compra e ganhavam milhares de seguidores –fenômeno visto como inautêntico por analistas–, críticos de Musk lamentavam a notícia e cogitavam abandonar a plataforma.

Embora as redes sejam parecidas, há duas diferenças que podem ter pesado na escolha dos novos usuários: o Mastodon é federado e escrito em código aberto.

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Por estar em código aberto, todos podem ver e baixar a "receita" do site, ou seja, as instruções que fazem a rede social ser como é. Ser federado significa que a plataforma compartilha parte do código com outras redes sociais também federadas, garantindo a interlocução entre elas.


Na prática, ao se cadastrar, o usuário deve escolher um servidor –serviço que mantém um site no ar. Seu nome de usuário fica vinculado aquele grupo, chamado de "instância". São espécies de comunidades temáticas (brasileira, LGBT ou liberal, por exemplo) criadas por moderadores que querem abrir um espaço de debate.

Cada instância tem regras próprias, ou seja, o usuário tem mais poder na rede. A masto.donte.com.br, por exemplo, uma comunidade brasileira, veta discursos preconceituosos, linguagem violenta, apologia a governos totalitários e desinformação intencional.

"Conheci o Mastodon lá pra abril de 2017, numa das crises do Twitter", afirma Renato Cerqueira, um dos fundadores da instância. "Na época, eu estava saindo do Facebook por discordar do tratamento de dados."

Na opinião dele, o fato de ser federada muda a relação do usuário com a rede. A maioria dos servidores, diz, são menores, o que facilita o trabalho dos coordenadores das instâncias e dá mais agilidade nas respostas.


"A moderação é mais próxima e problemas tendem a ser resolvidos mais rapidamente", afirma. "Pelo mesmo motivo, é mais fácil isolar servidores problemáticos. Servidores de extrema-direita, por exemplo, existem, mas são banidos pela maior parte dos servidores da federação e ficam isolados numa bolha própria."

O código aberto permite ainda outros tipos de customização das instâncias. Algumas delas bloqueiam o envio de mensagens para usuários de outras instâncias, ou permitem a edição de textos em negrito ou itálico, por exemplo.


Nos últimos dias, o Mastodon ficou lento após o aumento de acessos. "Novamente estou trabalhando para arrumar isso. Por favor sejam pacientes", afirmou Eugen Rochko na sua criação.

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