Geral
por Mariana Cedrim
Publicado em 17/09/2025, às 18h58
Um estudo realizado pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra como a CNN Brasil é favorecida pelo algoritmo do YouTube. O consultor Digital Guilherme Ravache analisou o levantamento e relacionou esse cenário a uma estratégia de “plataformização da TV” adotada pelo YouTube.
"A empresa busca atrair o público acostumado a consumir notícias por meio da televisão e, ao mesmo tempo, disputar a fatia mais valiosa da publicidade". Ravache apontou ainda que essa realidade também está presente no Discover do Google embora o NetLab ainda não tenha desenvolvivo essa análise.
O consultor destacou que hoje, com raras e honrosas exceções, quem produz notícia vive com medo do Google fazer você desaparecer da internet. "De certa forma, vivemos uma forma de Síndrome de Estocolmo editorial. Sim, o Google sequestrou o noticiário".
Os estudo do NetLab aponta que em junho de 2025, o portal da CNN registrou mais de 202 milhões de visualizações de páginas e 42 milhões de usuários únicos, números que contrastam com a queda de audiência de veículos como Globo.com, UOL e R7.
O problema vai além da CNN ser privilegiada pelo Google. O que chama atenção é a proximidade entre a CNN e o Google. João Camargo, foi chairman da CNN, mas também é o CEO da Esfera Brasil (uma think tank altamente influente em Brasília, ou uma organização de lobby, na visão dos mais críticos).
O Google, por sua vez, é associado da Esfera, e Fábio Coelho, CEO do Google, mantém um relacionamento próximo de Camargo. Não é a primeira vez que o Google é acusado de privilegiar veículos. Em 2022, uma análise também do NetLab mostrou que conteúdos da Jovem Pan, favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro, apareciam em destaque nas recomendações", explicou.
Para Ravache, o caso da CNN Brasil ilustra como o poder de grandes plataformas, aliado à falta de transparência nos critérios de recomendação, pode moldar o acesso à informação, criar distorções no mercado jornalístico e até influenciar a dinâmica democrática.
"O histórico do Google e da Meta contra regulações do setor digital amplia as dúvidas sobre a imparcialidade dos algoritmos e o impacto no ecossistema jornalístico".
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