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IA e redes sociais “apodrecem” o cérebro e preocupam pesquisadores; entenda

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Ferramentas de pesquisa com IA, chatbots e redes sociais estão ligados a um desempenho cognitivo inferior  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 11/11/2025, às 07h58 - Atualizado às 14h05



Ferramentas de pesquisa com inteligência artificial (IA),chatbots e redes sociais estão sendo associadas a um desempenho cognitivo inferior, segundo uma série de estudos recentes.

Uma das pesquisas foi conduzida pela professora Shiri Melumad, da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia. No experimento, um grupo de 250 pessoas recebeu a tarefa de escrever uma redação com conselhos para um amigo sobre como adotar um estilo de vida mais saudável.

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Os participantes que utilizaram apenas resumos gerados por IA produziram textos com conselhos genéricos, óbvios e, em grande parte, pouco úteis — como “coma alimentos saudáveis”, “mantenha-se hidratado” e “durma bastante”.

Já aqueles que realizaram pesquisas tradicionais no Google escreveram conselhos mais elaborados, abordando diferentes aspectos do bem-estar, como saúde física, mental e emocional.

Segundo Melumad, o experimento, junto a outros estudos que investigam os efeitos da IA no cérebro, indica que pessoas que dependem de chatbots e ferramentas de IA para tarefas como escrever ou pesquisar tendem a apresentar pior desempenho cognitivo do que aquelas que não as utilizam.

“Para ser sincera, estou bastante assustada”, disse Melumad. “Estou preocupada com o fato de os jovens não saberem mais como fazer uma pesquisa tradicional no Google.”

“Podridão cerebral”
O termo “brain rot” (“podridão cerebral”) foi escolhido pela Oxford English Dictionary como a palavra do ano em 2024, refletindo o impacto das redes sociais, especialmente TikTok e Instagram, sobre a capacidade de concentração das pessoas. O uso constante desses aplicativos tem sido associado a vícios em vídeos curtos e a uma espécie de “embotamento mental”.

Pesquisas recentes também têm levantado alertas sobre o impacto da IA na aprendizagem. Além de associações entre o uso de ferramentas de inteligência artificial e o declínio cognitivo, um estudo liderado por pediatras revelou que o uso frequente de redes sociais estava ligado a piores resultados em testes de leitura, memória e linguagem entre crianças.

O estudo do MIT
Entre os estudos mais importantes sobre os efeitos da IA no cérebro está uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O objetivo era entender como ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, influenciam o processo de escrita e aprendizado.

O experimento envolveu 54 estudantes universitários, divididos em três grupos:

  • um que podia usar o ChatGPT para escrever uma redação de 500 a 1.000 palavras;
  • outro que realizava apenas pesquisas no Google;
  • e um terceiro que contava apenas com seus próprios conhecimentos.

Durante a atividade, sensores mediam a atividade elétrica cerebral dos participantes. O grupo que utilizou o ChatGPT apresentou a menor atividade cerebral, algo esperado, já que a ferramenta realizava grande parte do trabalho.

Mas o resultado mais surpreendente veio depois. Um minuto após terminarem as redações, os estudantes foram convidados a lembrar qualquer trecho do texto que haviam escrito.
A maioria dos usuários do ChatGPT (83%) não conseguiu recordar sequer uma frase.

Já os alunos que usaram o Google lembraram de alguns trechos, e os que não utilizaram nenhuma tecnologia conseguiram recitar diversas partes, alguns, inclusive, quase o texto inteiro.

“Já se passou um minuto e você realmente não consegue dizer nada?”, questionou Nataliya Kosmyna, pesquisadora do MIT Media Lab que liderou o estudo. “Se você não se lembra do que escreveu, não sente propriedade. Você ao menos se importa?”
Kosmyna alerta que, embora o estudo tenha se concentrado na escrita, os resultados levantam preocupações sobre o impacto da IA em áreas onde a retenção de informação é crucial, como na formação de pilotos ou médicos.

Para ela, é urgente realizar novas pesquisas sobre como o uso da IA pode afetar a capacidade humana de aprender e lembrar.

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