Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 10/11/2025, às 11h30
Um novo estudo revela que uma doença quase dobrou desde 1990, atingindo 788 milhões de pessoas em 2023, e tornando-se a nona causa de morte global, com 1,5 milhão de mortes anuais. Trata-se da doença renal crônica (DRC).
O levantamento, publicado na última quinta-feira (8) no The Lancet, mostra que cerca de 14% dos adultos no mundo têm a doença. Em 2023, a doença causou 1,5 milhão de mortes, um aumento de mais de 6% em relação a 1993, mesmo considerando diferenças etárias entre países.
O que é a DRC
A doença acontece quando os rins perdem, de forma progressiva, a capacidade de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue. No começo, os sintomas podem não aparecer, mas quando se agrava, exige diálise, terapia de substituição renal ou transplante.
"Nosso trabalho mostra que a doença renal crônica é comum, mortal e está se agravando como um importante problema de saúde pública", afirmou Josef Coresh, diretor do Instituto de Envelhecimento Ideal da NYU Langone e coautor do estudo em um comunicado. "Essas descobertas apoiam os esforços para que a doença seja reconhecida, junto com o câncer, as doenças cardíacas e os transtornos mentais, como uma prioridade global."
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu formalmente, em maio de 2024, a DRC em sua meta de redução de um terço das mortes prematuras por doenças não transmissíveis até 2030.
Risco
Os pesquisadores analisaram que a função renal comprometida é também um importante fator de risco para doenças cardíacas, que contribui para cerca de 12% das mortes cardiovasculares globais. A DRC foi ainda a 12ª principal causa de incapacidade em 2023.
A hiperglicemia, hipertensão arterial e obesidade são os principais fatores de risco identificados pela pesquisa. De acordo com os autores, grande parte dos casos foram diagnosticados nos estágios iniciais da doença.
Dessa forma, o tratamento imediato com medicamentos e mudanças no estilo de vida pode evitar a necessidade de intervenções mais drásticas e caras, como diálise e transplante renal.
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"A doença renal crônica é subdiagnosticada e subtratada", afirmou o nefrologista Morgan Grams, coautor do estudo e professor da Escola de Medicina Grossman da NYU. "Nosso relatório destaca a necessidade de ampliar os exames de urina para diagnóstico precoce e garantir que os pacientes tenham acesso ao tratamento."
Nos últimos cinco anos, novos medicamentos mostraram capacidade de retardar a progressão da DRC e de diminuir o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca. No entanto, segundo os especialistas, ainda levará tempo para que os resultados apareçam em escala global.
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