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Jornalista baiano relata ter sido vítima de racismo em bar de Lisboa: 'Blacks não são permitidos'

Reprodução/Redes sociais
Relato foi feito nas redes sociais por Diego Barreto, jornalista que vive na capital portuguesa há cerca de seis meses  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes sociais
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 16/03/2026, às 17h23



Um jornalista baiano afirmou ter sido vítima de racismo ao tentar entrar em um bar no Bairro Alto, região boêmia de Lisboa, em Portugal. O caso aconteceu na madrugada do último sábado (14).

O relato foi feito nas redes sociais por Diego Barreto, que vive na capital portuguesa há cerca de seis meses, onde cursa mestrado em Ciências da Comunicação.

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Em entrevista ao BNews, Diego contou que a situação aconteceu após sair de um show com dois amigos também de Salvador que haviam viajado de Braga para encontrá-lo.

De acordo com o jornalista, o grupo tentou entrar no Portas Largas Bar, localizado na Rua da Atalaia, mas foi impedido por um segurança na porta do estabelecimento.

"Passamos nesse lugar que chama Bairro Alto, conhecido por suas ruas bem boêmias. A gente foi entrar em um bar e o cara da portaria, que também é preto retinto, pele mais escura que a minha, disse que não a gente não poderia entrar porque o espaço ali não era 'para blacks'", conta Diego.

O jornalista explica que a expressão "blacks" é usada, de forma pejorativa, para se referir a pessoas negras. "Não necessariamente é de maneira simpática, do tipo 'e aí negão? e aí meu preto?'. Quando você fala 'ó tem um black na área, fica esperto', já se  percebe que estão falando de um forasteiro, um cara que não é daqui", detalha.

Barreto afirma que questionou o motivo da restrição e recebeu uma resposta direta. “Perguntei o que estava acontecendo, se era uma festa privada. E o segurança disse: ‘Hoje blacks não são permitidos’”. O jornalista disse ter confirmado se havia entendido corretamente a afirmação.

“Perguntei: ‘Pessoas pretas não podem entrar?’. E ele respondeu novamente: ‘Não, blacks hoje não são permitidos’.”

Ainda segundo Barreto, o segurança afirmou que a determinação partia do dono do estabelecimento. Neste momento, um segundo funcionário do bar se aproximou após a discussão e pediu desculpas pela situação.

Segundo ele, o trabalhador explicou que estava apenas cumprindo ordens. “Ele disse que era ordem do chefe, ordem do dono do estabelecimento, que naquele dia pessoas negras não deveriam entrar”, contou.

Um dos amigos que estava com Barreto ainda argumentou que o grupo também era composto por turistas. Após o episódio, o grupo decidiu deixar o local. Segundo o jornalista, a intenção inicial era apenas usar o banheiro do bar antes de ir embora.

“Não fazíamos questão de entrar para curtir. A gente só queria usar o banheiro e sair”, afirmou.

Denúncia nas redes sociais

Barreto afirmou que decidiu compartilhar o episódio para registrar a situação e denunciar o que considera um caso claro de racismo. “É uma situação sinistra, péssima. Em seis meses vivendo aqui, nunca tinha passado por algo assim”, disse.

No vídeo, o jornalista afirmou que não chegou a registrar ocorrência na polícia portuguesa. Ao BNews, Diego explicou a decisão.

"A polícia também é racista, principalmente aqui. Não tomei medida nenhuma. E aí hoje, em uma conversa, pensei que não agi de modo nenhum. Não fiz nada, Não gravei, não fiz um rebuliço no espaço para chamar atenção e mostrar que o cara estava sendo criminoso. Não fiz nada, só fiquei indignado. E continuo até hoje".

Após a publicação do vídeo nas redes, Diego recebeu apoio de seguidores e amigos. Até o momento, não há posicionamento público do Portas Largas Bar sobre a acusação.

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