Polícia

DANÇA DAS CADEIRAS? Mudança em diretoria de presídios da Bahia levanta suspeita entre policiais penais

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Novo diretor sem experiência como policial penal assume cargo na Bahia  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 14/11/2025, às 09h00



Uma mudança recente na diretoria de presídios da Bahia levantou suspeitas entre policiais penais no estado. O diretor adjunto do Conjunto Penal de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), Erico Geraldo dos Santos Souza, foi exonerado do cargo e nomeado para a diretoria do Conjunto Penal de Irecê, município distante 480 km da capital baiana. Ele assume o lugar do policial penal Emanoel Eloi Alecrim Mendes.

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A mudança foi publicada no Diário Oficial da Bahia na última quinta-feira (13) e levantou suspeitas por parte da categoria. Fontes ligadas ao BNews estranham a nomeação de um novo diretor sem experiência no serviço público, já que ele não é concursado, foi reprovado em seleções para a Polícia Militar e Civil e integra a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) por indicação. "Como é que o cara faz concurso para PM, é contraindicado na investigação social para ser policial militar e é nomeado para diretor de presídio?", questiona um interlocutor, que não quis se identificar.

Erico Geraldo tem passagem pelo Exército Brasileiro (EB), onde foi segundo tenente, e tentou ser Policial Militar, mas acabou eliminado do concurso após a banca examinadora contraindicar sua nomeação. Ele ainda tentou aprovação em concursos da Polícia Civil e dos Correios, mas não obteve sucesso. Apesar disso, em 2023, o agora diretor do presídio de Irecê foi credenciado para ser habilitado para o manuseio de arma de fogo através de exame junto à Polícia Federal, possibilidade que teria o creditado a assumir o cargo na direção em 2023. A nomeação aconteceu com aval do atual secretário da Seap, José Castro, que seria próximo de Erico.

"Ele está exercendo a atividade de polícia sem ser", afirma o interlocutor. Procurada pelo BNews, a Seap explicou que a troca é considerada normal e tem como objetivo "oxigenar" processos dentro da administração penitenciária do estado. "Movimentações normais que acontecem não só no serviço público como no privado", afirmou a pasta. O presídio de Lauro de Freitas chegou a ser alvo de uma operação no início do ano que mirou facções criminosas que atuam em conjuntos penais da Bahia.

Na ocasião, foram apreendidos dois aparelhos celulares, porções de maconha, duas armas brancas improvisadas e cadernos com anotações suspeitas durante vistorias que integraram também a Penitenciária Lemos Brito (PLB), no Conjunto Penal Masculino de Salvador (CPMS), na Cadeia Pública de Salvador (CPS), localizados no Complexo Penitenciário da Mata Escura. O objetivo das revistas, que complementaram ações das forças policiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP), mirou a articulação criminosa de detentos acusados de integrar o Comando Vermelho. Dados da Seap dão conta de que, em toda a Bahia, já foram contabilizadas sete ações de fuga desde dezembro de 2024 e um saldo de 30 fugitivos. Desse total, apenas cinco foram recapturados e um morreu até o último mês de outubro.

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