Polícia

Juiz revela 'nova' fonte bilionária das facções criminosas no controle de comunidades: “Tráfico perdeu relevância”

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Durante encontro em Salvador, juiz Waldir Ribeiro Jr. afirma que tráfico já não é a principal fonte de lucro das facções  |   Bnews - Divulgação Deivid Santana / BNEWS
Cauan Borges e Mariana Bamberg

por Cauan Borges e Mariana Bamberg

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 13/05/2026, às 17h48 - Atualizado às 17h53



O juiz Waldir Viana Ribeiro Jr., titular da Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro (Vorcrim), afirmou que o tráfico de drogas deixou de ser a principal fonte de financiamento das facções criminosas no Brasil, durante o Encontro Estratégico de Combate ao Crime Organizado e Recuperação de Ativos, realizado nesta quarta-feira (13), em Salvador.

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Em entrevista ao BNews, Waldir aponta que as organizações criminosas passaram a lucrar mais com a exploração econômica dos territórios dominados do que com o próprio comércio de entorpecentes.

Nós temos recebido de informes das forças, da inteligência das forças policiais, da inteligência da Polícia Civil, da inteligência da Polícia Federal, da Polícia Militar, e o tráfico de entorpecentes, ele está perdendo relevância na atividade econômica dessas organizações criminosas. Ele já deixou de ser a principal fonte de recursoss”, declarou.

De acordo com Waldir, o principal mecanismo de arrecadação das facções atualmente é o controle paralelo de comunidades periféricas e favelas, onde grupos criminosos passaram a explorar serviços básicos que deveriam ser garantidos pelo Estado.

Hoje, o principal instrumento é a exploração do território que eles dominam. Como eles conseguem instalar ali um estado paralelo naqueles bolsões, ali ele vai exercer todas aquelas atividades que deveriam ser prestadas pelo Estado. Fornecimento de energia elétrica, fornecimento de internet, segurança pública, transporte público, mototáxi, van, cobra extorsões contra comerciantes, os comerciantes têm que pagar para trabalhar na comunidade”, afirmou o juiz.

O magistrado explicou que as facções passaram a controlar serviços como fornecimento clandestino de energia elétrica, internet, transporte alternativo e até segurança local. Além disso, comerciantes e trabalhadores seriam obrigados a pagar taxas ilegais para continuar atuando nas comunidades.

Cada moto táxi paga R$50,00 por mês para a facção. Cada morador paga R$89,00 por mês de internet para a facção. Aí você tem aqui comunidades enormes, como o Complexo do Nordeste de Amaralina, você tem ali quatro comunidades que formam uma só, você tem ali 80 mil habitantes. Se você for para Tancredo Neves, só em Tancredo Neves você tem 38 mil habitantes. Então você imagina, você explorando todos esses serviços, uma população de 80 mil habitantes aqui, de 38 mil habitantes ali, você consegue imaginar quantos bilhões isso no ano gera de arrecadação”, relatou.

Durante a entrevista, o magistrado também destacou a dimensão territorial e populacional das áreas dominadas pelas facções em Salvador. Segundo ele, a capital baiana é atualmente a terceira mais “favelizada” do Brasil, atrás apenas de Belém e Manaus.

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