Polícia

Médica-veterinária teria usado empresa para blindar patrimônio em esquema de duplicatas falsas em Salvador; três pessoas são presas

Divulgação/Ascom PCBA
Mais de mil duplicatas falsas foram identificadas, envolvendo 200 empresas que não realizaram as operações indicadas nos documentos  |   Bnews - Divulgação Divulgação/Ascom PCBA
Redação BNews

por Redação BNews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 15/09/2026, às 10h06



Três pessoas foram presas nesta terça-feira (15), em Salvador, durante a Operação Sem Lastro, deflagrada pela Polícia Civil, que investiga um grupo suspeito de criar e negociar títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, incluindo duplicatas falsas.

Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais. Um casal foi localizado no bairro de Jardim Armação, enquanto a terceira prisão ocorreu no bairro de Jardim das Margaridas.

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Durante a ação, foram apreendidos celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos que podem contribuir para as investigações.

Como o grupo agia

Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas ligadas ao ramo veterinário, com atividades de comercialização e armazenamento de ração e insumos veterinários, para dar aparência de regularidade às operações e viabilizar a emissão e negociação dos títulos no mercado financeiro.

De acordo com a polícia, o homem localizado em Jardim Armação, que atuava nos setores financeiro e comercial, é apontado como responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos fraudulentos.

Ele também participava do chamado autopagamento, utilizando recursos de empresas ligadas ao grupo para quitar alguns dos próprios títulos e criar uma falsa aparência de capacidade financeira. Mesmo após a descoberta das primeiras irregularidades, apresentou uma nova carteira de títulos fraudulentos no valor de R$ 17 milhões.

A mulher presa no Jardim das Margaridas atuava na área financeira e contábil. Segundo os autos, ela participava da manipulação de balanços e informações financeiras para conferir aparência de solidez econômica às empresas utilizadas nas operações.

Já a terceira investigada, médica-veterinária e esposa do principal investigado, atuava na área patrimonial e societária. Um dos elementos analisados foi a transferência, em 24 de março de 2026, da totalidade das cotas de uma empresa, avaliadas em R$ 1 milhão, para ela.

A operação financeira ocorreu durante as investigações e, segundo a apuração, esteve relacionada a uma suposta separação considerada simulada pelos investigadores. Publicações em redes sociais indicaram a continuidade da relação e da convivência do casal.

Prejuízo milionário

Ao longo da apuração, foram identificadas mais de mil duplicatas falsas, envolvendo mais de 200 empresas que apareciam nos documentos como responsáveis pelos pagamentos. Segundo a polícia, essas empresas não haviam realizado as operações comerciais indicadas nos títulos.

O valor das duplicatas negociadas ultrapassa R$ 32 milhões. Já o prejuízo confirmado pela investigação passa de R$ 15 milhões.

De acordo com o delegado responsável pela operação, José Nélis, as fraudes provocaram impactos para comerciantes e investidores.

"O esquema atingiu comerciantes e investidores, além de diversas pessoas que tiveram seus nomes protestados indevidamente por títulos que não correspondiam a dívidas reais. Os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes, levando alguns deles à falência. A movimentação societária identificada durante as investigações também funcionou como mecanismo de proteção patrimonial, dificultando a localização e eventual recuperação de bens relacionados aos valores obtidos com as fraudes", detalhou.

Os três presos permanecem à disposição da Justiça. A Operação Sem Lastro é realizada pelo Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM), e as investigações continuam para esclarecer a participação individual dos envolvidos, acompanhar o fluxo dos recursos e identificar possíveis outros integrantes.

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