Polícia
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 18/08/2026, às 06h00
Em janeiro de 2015, o desaparecimento de um garoto de 7 anos em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, mobilizou moradores em buscas pela cidade. Dois dias depois, o corpo de Carlos Henrique Moura foi encontrado em um córrego do bairro da Bomba.
O que parecia ser um caso de desaparecimento, era, na verdade, um crime premeditado, com a própria mãe da criança apontada como mandante.
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O menino foi atraído até o córrego com a promessa de receber uma pipa. Lá, foi afogado até a morte. A apuração da Polícia Civil da Bahia apontou dois envolvidos: José Nilton Pereira da Silva, executor do crime, e Alexsandra Moura da Silva, mãe de Carlos e apontada como mandante.
As investigações indicaram que Alexsandra temia que o filho revelasse à avó materna informações sobre seu envolvimento com o tráfico de drogas e o planejamento de um assalto a banco. Segundo os autos, ela teria oferecido relações sexuais a José Nilton em troca da execução do crime.
Segundo a polícia, também existia a suspeita de que a mãe estaria usando o menino para transportar drogas.
À época, José Nilton já respondia por tráfico de drogas e mantinha relacionamento com a avó materna da criança. Ele foi preso em agosto de 2016, mais de um ano após o crime, e confessou a participação, e citando Alexsandra como responsável pela decisão de matar o menino.
Na época, familiares disseram que a criança estava brincando na porta de casa, no bairro de Nova Vitória, quando desapareceu. Desde o início das investigações, a polícia já trabalhava com a hipótese de homicídio, já que a profundidade do córrego não possibilitaria que a criança morresse afogada. A Polícia Civil também já tinha a mãe e o padrasto da criança como suspeitos.
No sepultamento do menino, ocorrido em 11 de janeiro de 2015, a mãe chegou a desmaiar e, segundo relatos de familiares, foi amparada pelo companheiro, que era padrasto da criança.
Após a prisão de José Nilton, Alexsandra fugiu. Chegou a ser localizada e presa pela polícia baiana, mas foi solta quando o mandado de prisão temporária, válido por 30 dias, expirou sem que a situação processual estivesse consolidada. A partir daí, ela permaneceu foragida por anos.
Em dezembro de 2019, o Tribunal do Júri da Comarca de Salvador julgou o caso e Alexsandra Moura da Silva foi condenada a 29 anos e quatro meses de prisão, enquanto José Nilton Pereira da Silva recebeu pena de 21 anos e quatro meses pelo homicídio de Carlos Henrique Moura.
As informações constam em nota oficial enviada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) ao BNews.
Segundo o órgão, os processos já transitaram em julgado, o que significa que não cabe mais recurso contra as condenações.
De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e o MP-BA, José Nilton Pereira da Silva cumpre pena na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador. Já Alexsandra Moura da Silva, que permaneceu foragida por anos, foi localizada e presa em Maribondo, na Zona da Mata de Alagoas, em outubro de 2021, mais de seis anos depois do crime.
Atualmente, ela cumpre pena em uma unidade prisional em Maceió, no estado de Alagoas, e não na Bahia, onde o crime foi cometido e julgado. O MP-BA informou que, por não ter acesso ao sistema penitenciário alagoano, a confirmação atualizada da situação prisional de Alexsandra deve ser solicitada diretamente à Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social de Alagoas (Seris-AL).
A reportagem também questionou por que a condenada continua presa em Alagoas, e não na Bahia, estado responsável pelo processo e pela condenação. O Tribunal de Justiça de Alagoas respondeu que o recambiamento de presos entre estados é uma decisão que cabe ao Poder Executivo estadual, e não ao Judiciário.
Segundo o TJ-AL, a orientação é que a solicitação de transferência seja verificada diretamente com a Seris, órgão responsável por avaliar se recebeu ofício pedindo o recambiamento da presa para o sistema penitenciário baiano. A Polícia Civil da Bahia informou que não tem acesso às informações de recambiamento de custodiados.
Até a publicação desta reportagem, a Secretaria não respondeu aos questionamentos enviados pelo BNews.
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