Polícia

PM de 21 anos foi quem mais atirou em jovem morto após ter celular confundido com arma em SP

Reprodução/CNN
Com menos de dois anos de corporação, soldado de 21 anos descarregou pistola contra Gustavo Munis.  |   Bnews - Divulgação Reprodução/CNN

Publicado em 23/10/2026, às 12h26 - Atualizado às 13h41   Gabriel Dinis



A apuração do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) sobre a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, aponta para a falta de experiência da guarnição envolvida na ocorrência em São Paulo.

O soldado Lucas Gomes Sousa, de 21 anos e com menos de dois anos de serviço na corporação, foi o responsável pelo maior volume de disparos contra o jovem desarmado, efetuando 14 tiros de pistola calibre .40, segundo o relatório do órgão obtido pelo portal Uol.

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O levantamento dos dados revela que a ofensiva foi quase toda executada por agentes recém-formados. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), três dos quatro policiais que abriram fogo cumprem estágio probatório.

Além de Lucas, o soldado Sales Medeiros dos Santos, de 26 anos e graduado em junho deste ano, desferiu 13 tiros. O soldado Lucas dos Santos França, de 31 anos, que ingressou na PM em 2024, disparou outras 12 vezes. Já o único veterano da equipe, o 2º sargento Leandro Macedo Baptista, de 49 anos e condecorado por duas décadas de serviços prestados, foi quem menos atirou, realizando seis disparos.

No total, a ação culminou em 45 tiros deflagrados pelos policiais, dos quais 27 atingiram o corpo da vítima, na madrugada de 10 de outubro, em Moema, Zona Sul da capital. Os militares alegaram que a escuridão induziu a equipe ao erro de confundir um celular com uma arma de fogo. A perícia técnica, no entanto, confirmou que o rapaz carregava apenas o telefone.

Diante da desproporção da conduta, os quatro policiais foram afastados do patrulhamento ostensivo e cumprem funções administrativas. Eles respondem a um Inquérito Policial Militar (IPM) e à investigação da Polícia Civil por homicídio decorrente de intervenção estatal.

Câmeras de segurança flagraram a violenta abordagem, evidenciando que os policiais desceram das viaturas disparando em sequência rápida, sem qualquer tentativa de isolamento ou negociação. Familiares confirmaram que Gustavo realizava tratamento psiquiátrico e estava desorientado por um surto.

Casos recentes em SP

A tragédia acendeu um alerta vermelho sobre a conduta das forças de segurança paulistas em casos de saúde mental. O episódio em Moema não é um fato isolado, o padrão de letalidade desproporcional repete ocorrências recentes em que homens em surto foram mortos com mais de 20 tiros, colocando a atuação da PM de São Paulo sob investigação.

Especialistas em segurança pública apontam que a ausência de suporte médico do Samu e a imaturidade de agentes novatos transformaram pedidos de socorro em ações letais extremas, escancarando a urgência de uma revisão nos treinamentos da tropa para a gestão de crises psiquiátricas na capital.

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