Polícia

PM é identificado após atirar em motorista em Salvador e caso vira tentativa de homicídio

Arquivo Pessoal
Rodrigo Wamderley Ramos Bonfim, soldado da Polícia Militar, foi identificado pelas autoridades como suspeito do disparo; ocorrência, que havia sido registrada como lesão corporal, passou a ser tratada como tentativa de homicídio  |   Bnews - Divulgação Arquivo Pessoal
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 25/08/2026, às 19h49 - Atualizado às 20h07



O policial militar Rodrigo Wamderley Ramos Bonfim, soldado da Polícia Militar da Bahia (PMBA), foi identificado pelas autoridades policiais como suspeito de atirar contra o motorista de aplicativo Cirilo Carvalho, de 27 anos, após um acidente de trânsito na Avenida São Rafael, em Salvador, na manhã desta segunda-feira (24).

A informação foi obtida pelo BNEWS nesta terça-feira (25). Inicialmente tratado como lesão corporal, o caso passou a ser investigado como tentativa de homicídio. Rodrigo atua na 31ª Companhia Independente da Polícia Militar, na região de Valéria, na capital baiana, e estaria de folga no momento da ocorrência.

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Cirilo foi atingido na perna e socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde permanece internado com estado de saúde estável, segundo a esposa dele, Samile Sahade.

Carro permaneceu horas no local

O veículo de Cirilo permaneceu no local do acidente até por volta das 19h, cerca de sete horas depois do disparo. Segundo familiares, o automóvel ainda não havia sido removido nem periciado.

Uma cápsula encontrada sobre o banco do passageiro foi colocada pelos familiares dentro de um saco plástico enquanto eles aguardavam a perícia.

“A cápsula da bala ainda está dentro do carro, em cima do banco do passageiro, a gente está aguardando mais informações, mas eles cancelaram a perícia, o carro está lá parado”, disse Samile.

À reportagem, a assessoria do Departamento de Polícia Técnica (DPT) informou que a Polícia Civil não havia solicitado a realização da perícia. A orientação foi para que o BNEWS buscasse esclarecimentos junto à Polícia Civil, que não havia se manifestado sobre o motivo da não solicitação.

Registro da ocorrência

Segundo a esposa da vítima, a família procurou registrar inicialmente a ocorrência como tentativa de homicídio, mas o caso teria sido alterado para lesão corporal.

“Fizemos o boletim de ocorrência no próprio HGE. Só que tentamos a abertura do boletim de ocorrência para tentativa de homicídio, até porque o lugar onde a bala está alojada é muito próximo à artéria femoral, então, a chance de morte era muito grande. Mas, o delegado chamado Dermeval Amado Júnior ligou para lá diversas vezes, ele ligou para lá e mandou trocar de tentativa de homicídio para lesão corporal. Inclusive, isso fez com que a perícia no veículo fosse cancelada”, lamentou.

A Polícia Civil informou que a 10ª Delegacia Territorial (DT/Pau da Lima) já possui indícios de autoria sobre a ocorrência registrada inicialmente como lesão corporal. Segundo a corporação, um homem de 27 anos foi atingido por disparo de arma de fogo e socorrido para uma unidade hospitalar. Diligências estão sendo realizadas para esclarecer o caso.

Vídeo mostra suspeito saindo de Corolla

Uma gravação feita por Cirilo durante a ocorrência mostra o momento em que o homem apontado como autor do disparo sai de um Corolla. No vídeo, é possível ouvir o som de um giroflex enquanto ele deixa o veículo.

O homem aparece ainda com um objeto na região do peito que, segundo a contextualização apresentada pela família, seria semelhante a um distintivo funcional.

A imagem, contudo, não permite afirmar apenas pelo vídeo qual corporação o homem integraria.

Em áudio gravado pela própria vítima no hospital e compartilhado com o BNEWS pela esposa, Cirilo relatou que o condutor do Corolla teria provocado a colisão, saído do veículo armado e efetuado o disparo.

“Ele bateu na lateral do carro, eu perdi o controle, freei e, depois, ele bateu também de novo na minha porta do motorista. Ele já saiu do carro armado, apontando a arma para mim e me xingando, mandando eu descer do carro, só que eu não tinha como descer, porque o a parte frontal do carro dele estava grudada na minha porta, e eu mostrei para ele. Ele tentou me tirar pela porta do passageiro, mas não conseguiu, porque o local estava cheio de pacotes. E, assim que ele terminou a filmagem, ele sacou a arma e disparou contra mim”, disse a vítima.

Família já tinha apontado policial como autor

A família de Cirilo afirmou que o homem envolvido na ocorrência seria Rodrigo Wamderley Ramos Bonfim, policial militar que estaria de folga no momento do episódio.

“Ele é um policial militar, a gente sabe só até o momento que o nome dele é Vanderlei, não temos muito mais informações que isso”, disse Samile.

A esposa também afirmou que o homem não teria se identificado formalmente como policial durante a abordagem.

“Não, não se identificou. Ele só saiu do carro e a linguagem dele foi apenas de violência”, declarou.

Segundo Samile, Cirilo relatou que não houve diálogo antes do disparo.

“O agressor não falou nada. Ele só saiu do carro e atirou em meu marido. Ele não falou, ele não teve comunicação. Porque o que a gente sabe foi, primeiro, o que as testemunhas que estavam no local falaram pra gente, e segundo, o que meu marido me disse no caminho da ambulância. Mas ele não estava conseguindo falar muito porque ele estava com muita dor”, detalhou.

Motorista fazia entregas

Segundo a família, a discussão começou depois que o outro veículo teria atingido a traseira do carro de Cirilo. O motorista teria fechado o veículo da vítima, impedindo a saída pela porta do motorista.

“Ele disse que não brigou. Ele disse ‘não briguei e eu não sei o que eu fiz de errado’. Aparentemente, ele [Cirilo] estava andando devagar, o motorista de trás se estressou e bateu no fundo do carro dele. Aí, ele fechou o carro do meu marido com o próprio veículo, fechou a porta do motorista, né? Então, meu marido não conseguia sair pela porta do motorista, ele deu a volta no carro, abriu a porta do passageiro, foi, nesse momento que foi registrado em câmera, meu marido filmou ele, e aí ele tomou o celular, bateu em meu marido e deu um tiro na coxa direita dele”, relatou Sahade.

Cirilo estava realizando entregas no momento do episódio e usava a roupa de entregador de uma plataforma de e-commerce.

Testemunha procurou a família

A irmã da vítima, Luísa Carvalho, afirmou que uma testemunha procurou a família depois de presenciar a ocorrência. Segundo ela, a mulher fez uma chamada de vídeo e relatou o que havia acontecido.

“Tinha testemunhas, tanto que foi uma moça que me ligou. Foi como eu soube o que tinha acontecido, ela fez uma chamada de vídeo. Foi uma covardia que meu irmão não reagiu a nada e, mesmo assim, meu irmão tomou um tiro. Tem essa testemunha que pode provar”, acrescentou.

Família cobra responsabilização

Samile afirmou que espera a responsabilização do homem apontado pela família como autor do disparo.

“A gente quer a exoneração dessa pessoa e que ele seja preso. Porque não tem como uma pessoa que tem o poder de arma de fogo ser tão desequilibrado a ponto de atirar em alguém por conta de uma briga de trânsito”, lamentou.

A esposa também afirmou que pessoas ligadas ao suspeito estariam tentando impedir o avanço do caso. “É absurdo como a gente não pode contar com a nossa própria segurança pública para nos defender, a gente ainda está lidando com o fato de que ele tem contatos e esses contatos estão tentando abafar a situação”, suspeitou a esposa da vítima.

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