Polícia
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 28/03/2026, às 11h32 - Atualizado às 12h03
Relatos de pessoas em situação de rua escancaram uma prática que mistura exploração, vulnerabilidade e dinheiro fácil nas ruas do centro de São Paulo. Segundo depoimentos, abordagens feitas por desconhecidos oferecem pequenas quantias em dinheiro ou até drogas em troca de sexo, principalmente durante a madrugada e nos fins de semana.
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Os valores pagos são baixos e variam, em geral, entre R$ 10 e R$ 50. Em alguns casos, a negociação inclui o fornecimento de entorpecentes como forma de pagamento. Os encontros acontecem em espaços públicos, motéis ou até em banheiros de terminais urbanos, sem qualquer tipo de segurança.
Sabrine Pedrosa Vieira, uma mulher transexual de 35 anos, que vive há alguns meses nas ruas da região central, descreve a abordagem como direta e recorrente. Segundo ela, homens mais velhos costumam iniciar conversa com perguntas sobre consumo de álcool, drogas e condição de moradia, antes de propor relações sexuais mediante pagamento. A vulnerabilidade, nesse cenário, acaba sendo o principal fator de pressão.
Os homens chegam, abordam e perguntam: 'você usa droga? você bebe? você é morador de rua (sic)? Estou interessado em fazer alguma coisinha. Tenho R$ 10 aqui'. O sexo é feito na rua, no motel ou aqui mesmo no banheiro do terminal [de ônibus Amaral Gurgel]. Classifico essa situação como uma 'imundície', porque olha pra mim, olha o meu estado. E uma pessoa sentir fetiche, prazer por uma pessoa que já está em estado vulnerável? E, sabendo que, muitas vezes, a pessoa precisa daquele dinheiro para comprar alguma coisa? Ela se aproveita disso, e a gente precisa se submeter
Outros relatos seguem a mesma linha. Pessoas em situação de rua afirmam que vivem sob risco constante, tanto pela possibilidade de violência quanto pela exposição. Ainda assim, a necessidade de dinheiro para alimentação ou outras demandas básicas faz com que muitos considerem ou aceitem as propostas, mesmo diante do constrangimento.
A prática, porém, não se limita ao espaço físico. Ela também ganhou força nas redes sociais, onde perfis passaram a publicar e vender vídeos de sexo explícito envolvendo pessoas em situação de rua. Um levantamento feito pelo UOL identificou contas que atuam em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza, explorando esse tipo de conteúdo como produto digital.
As publicações costumam trazer descrições provocativas, transformando situações de extrema vulnerabilidade em material de consumo. Em alguns casos, os responsáveis pelos perfis cobram pelo acesso aos vídeos em plataformas adultas, ampliando o alcance e o lucro desse tipo de exploração.
"Fui caçar aqui no centro do Rio. Mesmo chovendo já catei cinco [pessoas em situação] de rua só hoje. Esses dois estavam 'queimando um chá' na esquina com um monte de sacos de latinhas", afirma outra. Em outro caso, a legenda diz: "20 conto faz (sic) milagre".
O fenômeno também chama atenção pelo aspecto comportamental. Há indícios de fetichização associada à degradação e à desigualdade social, além dos riscos evidentes à saúde e à integridade física dos envolvidos. Relatos apontam, inclusive, episódios de agressão durante esses encontros, o que levou algumas pessoas a buscar ajuda médica e psicológica.
O cenário se agrava diante do crescimento da população em situação de rua no Brasil. Dados do Cadastro Único indicam mais de 367 mil pessoas vivendo nessas condições atualmente, número muito superior ao registrado na última década. Na cidade de São Paulo, a estimativa já ultrapassa 100 mil.
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