Política

PP ainda vive indecisão sobre nome alternativo caso não consiga reeleger Nelson Leal na AL-BA

Vagner Souza / BNews

Publicado em 02/12/2020, às 20h59    Vagner Souza / BNews    Eliezer Santos

O Partido Progressista ainda não encontrou a equação política que precisa para se manter na presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), mas tem ensaiado movimentos em diversas direções para tentar construir alternativas viáveis caso não vá adiante o projeto de reeleição do presidente Nelson Leal.

Enquanto costura internamente, o pepista aguarda o parecer que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve emitir nesta sexta-feira (4) sobre a legalidade da recondução do senador Davi Alcolumbre (DEM) na presidência do Senado Federal, que pode ter efeito cascata e chegar ao Legislativo baiano.

Apesar de ter a maior bancada da Casa, com dez deputados, o partido - ou pelo menos uma ala dele - cogita apoiar o deputado Vitor Bonfim (PL), que é visto como "pepista satélite" em função do trânsito que tem na Presidência de Leal. Segundo apurou o BNews, seis parlamentares da legenda deram sinal verde em apoiar eventual candidatura de Bonfim, mas eles mesmos reconhecem a dificuldade de o movimento decolar, por duas razões pontuais: a baixa aceitação dos pares ao nome de Victor e o histórico de compromissos não assumidos pelo pai dele quando era deputado.

Além disso, soa contraditório o PP defender candidatura vinculada a outra legenda depois de o vice-governador da Bahia e presidente da sigla no estado reiterar a ambição pelo Legislativo.

O único pepista que se colocou abertamente como "plano B" a Nelson Leal foi o deputado Robinho, mas afirma que não fará voo solo e só irá para disputa se for lançado pelo partido.

"Quem é que não quer ser presidente da AL-BA? Eu me coloquei lá trás, falei a Nelson: coloca meu nome na fila. Mas só serei candidato se o meu partido me indicar, não vou dar murro em ponta de faca", diz Robinho.

Na avaliação interna existe uma espécie de escolha "por eliminação" de qual ou quais nomes pepistas têm reais chances de vitória numa disputa direta pela presidência. 

Aderbal Caldas e Jurandy Oliveira, deputados mais antigos, estariam mais distantes da disputa. Antônio Henrique Jr., que tem o perfil mais reservado e pouca interlocução política na Casa, também não é cotado. Eduardo Sales, apesar do bom trânsito com João Leão, não é visto com credenciais para o posto.

O nome de Zé Cocá não é citado porque a partir de janeiro ele deixa a Assembleia porque foi eleito prefeito de Jequié.

Por fim, os novatos Dal, Júnior Muniz e Niltinho teriam que superar a resistência cultural da Casa em promover deputados de primeiro mandato. De todo modo, eles têm a possibilidade, ainda que remota, de aproveitar a lacuna nesse xadrez pepista. 

Entre eles, Niltinho surge com leve vantagem por preservar boas relações com Leão e com o governador Rui Costa (PT). O deputado passou a defender publicamente a permanência do partido na presidência após o saldo eleitoral de 2020, quando o partido ampliou o número de prefeituras na Bahia.

Para formar maioria necessária à eleição de um presidenciável, o PP conta com o apoio de outros deputados que orbitam a sigla, como Tum (PSC), Samuel Júnior (PDT) e o próprio Vitor Bonfim (PL), mas precisa ainda atrair os votos da oposição, já que boa parte da bancada governista tem a tendência de seguir o acordo selado pelo governador para que Adolfo Menezes (PSD) assuma a presidência no biênio 2021-2022.

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