Política
Publicado em 06/10/2026, às 12h41 - Atualizado às 13h48 Gabriel Dinis
No último domingo (4), brasileiros que vivem no exterior foram às urnas para votar nas eleições do Brasil. Em Varsóvia, capital da Polônia, no entanto, a votação de duas brasileiras gerou tensão após o deputado polonês Dominik Tarczyński, do partido de direita conservadora Lei e Justiça (PiS), publicar uma foto das eleitoras nas redes sociais e pedir ajuda aos seguidores para identificá-las.
A exposição ocorreu após uma das brasileiras aparecer em frente à embaixada brasileira usando um broche do Partido dos Trabalhadores (PT) e um boné vermelho. O parlamentar associou os símbolos à suposta apologia ao comunismo.
“Se alguém tiver informação sobre essas moças, por favor entre em contato pela DM (mensagem direta), URGENTE”, escreveu Tarczyński em uma publicação no X, antigo Twitter.
Em outra publicação, desta vez no Instagram, o político elevou o tom ao afirmar que promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido. Tarczyński também declarou que ajudaria as brasileiras a “arrumar as malas” para que fossem deportadas.
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Com forte presença digital e mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, Tarczyński comemorou o resultado do primeiro turno e parabenizou publicamente o candidato Flávio Bolsonaro. Horas antes de expor a foto das eleitoras brasileiras, o parlamentar polonês havia declarado na internet que “em breve o Brasil estará livre do comunismo”.
Ameaças nas redes sociais das brasileiras
Alvo de ameaças e intimidações virtuais, as brasileiras precisaram fechar ou excluir suas contas nas redes sociais após terem os perfis expostos na internet. A reação ocorreu depois que a publicação do parlamentar polonês viralizou e acumulou milhares de interações.
A legislação polonesa veda, em sua Constituição, a atuação de organizações de caráter totalitário e cita expressamente o nazismo, o fascismo e o comunismo. Além disso, o Código Penal do país pune a propaganda desses regimes.
Apesar de a Justiça polonesa reconhecer que o uso isolado de símbolos partidários não configura crime, setores ultraconservadores locais equiparam a simbologia de partidos de esquerda a infrações graves contra o Estado.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) não emitiu pronunciamento oficial sobre o caso.
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