Política
Publicado em 25/08/2026, às 19h27 Héber Araújo e Matheus Simoni
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), voltou a defender a construção da escola para crianças autistas, que está sendo erguida na região do Curralinho, na capital baiana. Em entrevista nesta terça-feira (25), durante lançamento do programa de Bolsa Presença do EJA, no Centro de Formação de Professores Emília Ferreiro, no Costa Azul, ele destacou que o município quase triplicou a oferta de vagas para esses alunos nos últimos anos.
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"Aos autistas, só para vocês terem uma ideia: no meu primeiro plano de governo a meta era atender 5.000 crianças com deficiência, em especial as crianças com espectro autista. Depois da pandemia, esse número subiu de um ano para o outro para 8.000. Depois, nos outro anos, — de 22 para 23, de 23 para 24 — para 11.000", declarou Bruno Reis, reforçando que o atual índice está em 12 mil estudantes auxiliados.
Quero dizer para vocês que, em três anos, nós saímos de 5 mil para 12 mil. Ou seja: 7.000 crianças a mais. Para isso foi necessário construir salas AEEs — que são salas para atender as crianças com necessidades especiais — que nós implantamos em diversas escolas da nossa cidade", disse.
Ainda de acordo com Bruno Reis, a escola destinada aos estudantes já está 80% concluída e está prevista para ser entregue neste ano.
"Uma escola para 1.000 crianças com espectro autista, a única de todo o Brasil. Procura aí se tem alguma prefeitura, algum governo municipal que construiu uma escola com o objetivo de atender crianças com espectro autista", desafiou.
O atraso na construção da escola foi revelado com exclusividade pela reportagem da BNews Premium, editoria de matérias especiais sobre denúncias, investigações e apurações exclusivas, de março de 2025. A investigação revelou que os valores envolvidos na construção da escola saltaram de R$ 12 milhões para R$ 16,2 milhões, devido aos quatro aditivos aprovados pela prefeitura de Salvador ao longo do período. Tomando como base o orçamento inicial do projeto, o governo Bolsonaro arcou com pouco mais de R$ 9,6 milhões via Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O restante ficou a cargo da prefeitura de Salvador — cerca de R$ 6,6 milhões, com os aditivos já contabilizados.
A obra deveria ter sido entregue em 2023. No entanto, quatro anos depois, a construção estava sem previsão de conclusão. Para as obras, a gestão municipal já havia pago mais de R$ 12,5 milhões, sendo R$ 10 milhões oriundos do Ministério da Educação (MEC) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), custeando boa parte do empreendimento.
Diante dos atrasos de mais de cinco anos, o município, através da Secretaria Municipal de Educação (Smed), homologou o novo contrato destinado à conclusão da obra. Segundo a prefeitura, a revogação do vínculo inicial da obra por meio de rescisão contratual ocorreu de forma “consensual”.
A escola virou alvo de um procedimento por parte da Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público de Salvador, do Ministério Público da Bahia (MP-BA). A ação visa investigar supostas irregularidades na execução do contrato firmado entre a Prefeitura de Salvador e a empresa Nordeste Engenharia para a construção da escola.
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