Política
Partidos do centrão que perderam espaço na Câmara dos Deputados e no Senado passaram a se aproximar de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Algumas das legendas que optaram pela neutralidade na primeira etapa da disputa já declararam apoio ao candidato, enquanto outras liberaram seus filiados ou negociam uma aproximação com o senador. O levantamento é do Uol.
PSD, PP, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos elegeram juntos 234 deputados federais para a próxima legislatura. Atualmente, as seis siglas ocupam 253 cadeiras na Câmara.
No Senado, os partidos passarão de 42 para 32 vagas. O PSD foi a legenda mais afetada, com redução de 14 para cinco cadeiras. O presidente do partido, Gilberto Kassab, afirmou à Folha de S.Paulo que "todos os partidos de centro foram atingidos pelo PL". Ele, porém, minimizou o resultado e destacou que União Brasil, PP, Republicanos e MDB perderam mais deputados que o PSD.
O termo centrão é utilizado para definir partidos e parlamentares que costumam negociar apoio no Congresso conforme alianças, interesses e participação no governo. Essas legendas ocuparam cargos na gestão de Jair Bolsonaro (PL) e também comandaram ministérios do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio Bolsonaro chegou ao primeiro turno sem grandes alianças. Antes de registrar a candidatura, chegou a oferecer a vaga de vice ao PP e ao Republicanos, mas, sem conseguir formar uma aliança com outras legendas, escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa.
O resultado do primeiro turno, no qual Flávio saiu na frente, alterou o cenário e aproximou partidos do centrão do candidato.
"Esses partidos entenderam que o Lula era favorito ao quarto mandato, como parecia em muitos momentos durante o primeiro turno, e isso não se materializou", afirmou o cientista político Leandro Consentino, professor no Insper. "Dado que Flávio foi ao segundo turno como favorito, a expectativa de vitória movimenta os partidos que querem espaço em um eventual governo, que querem proximidade com quem está no poder", acrescentou.
A federação formada por PP e União Brasil decidiu rever a posição adotada no primeiro turno e anunciou apoio a Flávio na terça-feira (6). Na quarta-feira (7), o Republicanos também declarou apoio ao candidato. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi apontado como principal articulador do acordo.
MDB e PSD decidiram liberar seus filiados para escolher entre Lula e Flávio. Algumas lideranças das duas siglas, porém, já manifestaram apoio ao senador.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que terminou a eleição presidencial em quinto lugar, se encontrou com Flávio nesta semana e declarou apoio à candidatura. O ex-presidente Michel Temer (MDB) também manifestou apoio.
Flávio ainda negocia com o Podemos e deve se reunir com lideranças da legenda na manhã desta quinta-feira (8).
Mesmo com cargos no atual governo, PP, União Brasil, Republicanos, MDB e PSD se alinharam à oposição em votações importantes no Congresso nos últimos anos. Entre as derrotas impostas ao governo Lula estão a derrubada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o projeto de lei da Dosimetria, novas regras para o licenciamento ambiental, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o projeto de lei Antifacção.
Para Leandro Consentino, o resultado das eleições de 2026 deve alterar o equilíbrio de forças no Congresso.
"As bancadas que o PL conquistou na Câmara e no Senado e os governadores que a direita elegeu em vários estados importantes já demonstram que a direita vai ter uma força inaudita desde a redemocratização. Não tem espaço para uma direita mais pragmática como era o centrão."
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