Política

Confira o áudio que mostra Bolsonaro discutindo como blindar Flávio da investigação da ‘rachadinha’

Sérgio Lima / Poder360
O áudio foi obtido pela Polícia Federal na investigação sobre um suposto esquema de espionagem ilegal na Abin  |   Bnews - Divulgação Sérgio Lima / Poder360

Publicado em 16/07/2024, às 07h02   Rebeca Silva



O ministro Alexandre de Moraes derrubou, na última segunda-feira (15), o sigilo da gravação durante a investigação de um suposto esquema de espionagem na Abin da gestão Bolsonaro.

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Participaram do encontro o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); o então ministro do gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; e as advogadas do Senador Flávio Bolsonaro (PL) no caso da ‘rachadinha’.

O áudio consta do material obtido pela Polícia Federal na investigação sobre um suposto esquema de espionagem ilegal na Abin. 

Na reunião, a advogada Luciana Pires fala em buscar dados sobre pessoas envolvidas em apurações sobre Flávio Bolsonaro.

Para os investigadores, isso evidencia o uso da estrutura da Abin para tentar retaliar os auditores que investigaram Flávio.

Uma das linhas de investigação da Polícia Federal é de que o entorno de Bolsonaro buscou saber quem estava fazendo a investigação, para, posteriormente, tirar a pessoa do processo.

A reunião tem uma duração de mais de 1h. Poucos minutos após o início, Bolsonaro diz:

"Ninguém tá pedindo favor aqui, [inaudível] é o caso conversar com o chefe da Receita. O Tostes".

Ele se referia a José Tostes, então chefe da Receita Federal.

Os demais participantes aprovam a sugestão.

Depois, Bolsonaro sugere falar com Gustavo Canuto, que era na época o presidente do Dataprev, órgão do governo que lida com dados da administração pública.

"É o zero um dos caras. Era ministro meu e foi pra lá. Sem problema nenhum. Sem problema nenhum conversar com ele. Vai ter problema nenhum conversar com o Canuto", explica Bolsonaro.

"Eu caso [sic] conversar com o Canuto?", questiona Bolsonaro.

A advogada Luciana Pires responde o ex-presidente:

"Sim, sim. Com um dique. Olha, em tese, com um dique você consegue saber se um funcionário da Receita [inaudível] esses acessos lá".

Nesse momento, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, diz que essa essa estratégia discutida entre ele na reunião tem que ficar fechadíssima. Ou seja, não vazar as informações.

"Tentar alertar ele que, ele tem que manter esse troço fechadíssimo. Pegar de gente de confiança dele. Se vazar [inaudível]", afirma Heleno.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, então, diz:

"Tá certo. E, deixar bem claro, a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa. Que não estamos procurando favorecimento de ninguém".

A quarta fase da operação Última Milha, deflagrada na semana passada, cita o áudio da reunião entre os quatro, onde Ramagem teria dito que era preciso tomar medidas para anular a investigação que atingiu Flávio Bolsonaro.

Nessa reunião, segundo a PF, foi discutida uma estratégia para desmoralizar e afastar os auditores da Receita Federal envolvidos na apuração.

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