Política
O deputado estadual Diego Castro (PL) se envolveu em mais uma polêmica nesta quinta-feira (20), após um tumulto generalizado na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.
Segundo o parlamentar, a visita ao campus, feita na companhia de seguranças, tinha como objetivo retirar adesivos de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A ação, no entanto, acabou descambando para confronto físico, acusações, agressão e registro de boletins de ocorrência.
O episódio coroa uma série de episódios protagonizados pelo parlamentar bolsonarista que adota um perfil combativo e acumula polêmicas em fiscalizações de repartições públicas.
Diante do episódio recente, a Justiça limitou, nesta sexta-feira (21), o acesso livre do deputado a escolas e outros espaços públicos do governo estadual, exigindo agora liberação prévia para futuras visitas.
O deputado gravou vídeos enquanto retirava parte do material das paredes, provocando uma discussão com estudantes. Durante a confusão, Castro foi atingido com um tapa, segundo a versão apresentada pelo parlamentar.
Segundo a UFBA, no confronto, o estudante Tobias Muniz, liderança do Centro Acadêmico Vladimir Herzog, foi empurrado por um integrante da equipe de segurança do deputado e ficou ferido. O episódio interrompeu atividades acadêmicas e também envolveu o diretor da faculdade.
O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. O deputado, o estudante e o diretor registraram ocorrências na 7ª Delegacia Territorial (DT) do Rio Vermelho, e a corporação informou que testemunhas serão ouvidas para esclarecer os fatos.
Confusão na UFBA: o deputado Diego Castro (PL) é acusado por estudantes de homofobia e agressões nesta quinta (20). A assessoria diz que ele foi ao local para retirar adesivos de apoio a Jerônimo e Lula e afirma que o parlamentar foi hostilizado pelos alunos. pic.twitter.com/XJFKnTokvH
— bnewsvideos (@bnewsvideos) August 20, 2026
A UFBA repudiou a atuação do parlamentar e afirmou que a movimentação de Castro e de sua equipe provocou uma interrupção na recepção dos calouros. A universidade também informou ter registrado boletim de ocorrência e que foi feito exame de corpo de delito no estudante.
A Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA), por sua vez, afirmou que a conduta não representa o posicionamento institucional da Casa e informou que recebeu uma representação pedindo a apuração de possível quebra de decoro parlamentar. O caso deverá passar pela Mesa Diretora e, posteriormente, pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, assegurados o devido processo e o direito à ampla defesa.
Um dos episódios ocorreu no Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador, em fevereiro de 2025. Segundo as informações do processo, Castro entrou em uma área de circulação controlada acompanhado de outras pessoas e sem seguir os protocolos exigidos.
Também houve uma confusão no Centro Educacional Municipal Governador Luiz Viana Filho, em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. A prefeitura alegou que o deputado entrou sem autorização, acompanhado de outras pessoas, e gravou imagens de estudantes menores de idade e funcionários.
A Justiça determinou a retirada dos vídeos e proibiu novas entradas em escolas municipais para gravações sem autorização formal e comunicação prévia.
Depois da confusão na UFBA, os deputados Olívia Santana (PCdoB) e Hilton Coelho (Psol) protocolaram representações contra Diego Castro na ALBA. Hilton foi o primeiro a pedir a cassação do mandato, atribuindo ao parlamentar, entre outras condutas, agressão física contra estudante, ameaças e tratamento desrespeitoso ao diretor da Facom.
Olívia também apresentou pedido pela cassação. Segundo a representação apresentada posteriormente por Castro, a deputada afirmou que ele teria invadido um banheiro feminino na universidade. O deputado nega a acusação e afirma que as imagens disponíveis comprovariam sua versão.
Em declaração sobre o caso, Olívia citou o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa e afirmou que a conduta do deputado seria incompatível com os deveres previstos na norma.
“A ação do deputado Diego Castro é exatamente o contrário de tudo isso. Um flagrante desrespeito ao Regimento Interno da Casa, uma treinada falta de civilidade e espírito público. O desamor à democracia é marca registrada do bolsonarismo”, disse a deputada.
Diego Castro apresentou nesta sexta uma representação contra Olívia Santana e Hilton Coelho, acusando os dois de quebra de decoro por suposta divulgação de informações falsas após o episódio na UFBA. O parlamentar pediu que o caso seja encaminhado ao Conselho de Ética.
O deputado nega ter entrado no banheiro feminino e afirma que foi à universidade após receber denúncias sobre material político-eleitoral afixado no prédio. Segundo Castro, os adesivos defendiam Lula e Jerônimo Rodrigues, e ele os retirou por considerar que se tratava de propaganda eleitoral irregular em espaço público.
Nas redes sociais, o parlamentar, que se declara bolsonarista, afirmou que a esquerda tenta silenciá-lo e que as acusações contra ele fazem parte de uma tentativa de inverter a narrativa sobre o episódio.
A passagem de Diego Castro pela política baiana também já foi marcada por outro confronto dentro da própria Assembleia. Em junho de 2024, durante uma discussão relacionada ao chamado “PL do Aborto”, houve uma briga entre deputados e a segurança precisou intervir.
A confusão começou depois de Olívia Santana mencionar a relação do grupo bolsonarista com o projeto. Castro pediu que a fala fosse retirada dos registros da sessão.
A relação entre Diego Castro e Olívia Santana já vinha se desenrolando nos tribunais há algum tempo. A deputada apresentou uma queixa-crime contra o parlamentar por declarações consideradas ofensivas.
Em janeiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o andamento do processo e determinou a remoção de material considerado ofensivo da internet. Em julho, porém, a Justiça baiana manteve a rejeição da queixa-crime.
Em decisão assinada nesta sexta pelo juiz Carlos Roberto Silva Junior, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, a Justiça acolheu pedido do Estado da Bahia e ampliou para unidades da rede pública estadual de ensino e outros equipamentos públicos do estado uma restrição que já alcançava áreas hospitalares.
A decisão proíbe o parlamentar de ingressar, forçar acesso ou entrar nessas unidades sem autorização e agendamento prévio com a direção, seguindo os protocolos institucionais. Também foram proibidos registros de fotos e vídeos, transmissões ao vivo e abordagens de servidores, professores e alunos com constrangimento, coação ou inquirição de cunho pessoal ou político-partidário.
O magistrado sustentou que a fiscalização legislativa possui caráter institucional e colegiado e não constitui uma prerrogativa individual para incursões ostensivas em repartições públicas.
“O exercício da fiscalização legislativa sobre atos e órgãos do Poder Executivo ostenta natureza institucional e colegiada, titularizada pelas Casas Legislativas ou por suas respectivas Comissões, inexistindo prerrogativa individual para incursões coercitivas ou diligências ostensivas autônomas em repartições públicas”, disse.
Ao tratar especificamente de um episódio ocorrido em ambiente escolar, o juiz também afirmou:
“O ingresso desautorizado com simulação de operação tática e a inquirição da servidora pública sobre orientação partidária extrapolam as balizas funcionais, caracterizando abuso de direito e desvio das normas de convivência e do regimento escolar”.
A decisão manteve multa de R$ 50 mil para cada ato de descumprimento. O Estado da Bahia pediu a medida, que também determinou a ciência à Secretaria da Educação (SEC) e à Assembleia Legislativa da Bahia.
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