Política

Em novo livro, militar relata resistência a plano golpista de Bolsonaro: "Eu disse não"

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Militar, que votou em Bolsonaro, discute a anulação das condenações de Lula e fala sobre tentativas de golpe  |   Bnews - Divulgação Marcelo Camargo / Agência Brasil
Yuri Pastori

por Yuri Pastori

yuri.pastori@bnews.com.br

Publicado em 18/08/2026, às 06h48 - Atualizado às 06h50



O ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Baptista Júnior, está lançando no próximo mês um novo livro, chamado "Eu disse não - Uma trincheira antigolpista". A obra conta os bastidores dos encontros entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  e comandantes das Forças Armadas, em que o ex-chefe do Executivo buscava convencê-los a embarcar em um golpe e reverter a vitória de Lula (PT) nas eleições de outubro.

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O brigadeiro, que está na reserva, relatou, em entrevista à Folha de S.Paulo, uma série de momentos ao longo da gestão Bolsonaro em que ficou desconfortável com a tentativa de instrumentalização das Forças Armadas pelo ex-presidente para ganhos políticos. Baptista Júnior afirma que, em um dos encontros após a derrota, o ex-presidente disse a ele: "BJ, eu já te dei dois cartões amarelos".

Baptista Júnior ainda revelou à Folha que o risco de golpe foi iminente e que temia alguma iniciativa no Exército que não estivesse alinhada à postura legalista do general Freire Gomes.

"As pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares. Eu temia por uma ruptura entre tropas", disse.

Ele nega a omissão dos comandantes e afirma que os protestos golpistas em frente aos quartéis não foram dispersados para "evitar derramamento de sangue".

O militar disse que votou em Bolsonaro em 2022, pois entendeu que a anulação das condenações de Lula antes das eleições representou uma quebra do Estado democrático de Direito. No entanto, ele se negou a responder se a condenação de Jair Bolsonaro foi necessária.

"Esse é um problema do Judiciário e do mundo político, né?", declarou. 

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