Política
Publicado em 07/12/2024, às 13h24 - Atualizado às 14h56 Rebeca Silva
Militares utilizaram sites estrangeiros para contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas nas eleições de 2022. As informações constam do relatório da Polícia Federal (PF) sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
De acordo com informações do parecer, os militares envolvidos mantinham uma "parceria" com o argentino Fernando Cerimedo, investigado pela Polícia Federal. Eles utilizaram sites hospedados na Argentina e em Portugal para "publicar conteúdo fraudulento".
Cerimedo atuou como estrategista da campanha presidencial de Javier Milei na Argentina em 2023. Um ano antes, ele realizou uma transmissão ao vivo intitulada "Brazil was stolen" [O Brasil foi roubado], divulgando uma suposta "investigação" sobre as eleições brasileiras.
O conteúdo foi publicado no site La Derecha Diario. Cerimedo alegou ter encontrado discrepâncias na distribuição de votos entre as urnas eletrônicas mais novas e as mais antigas.
“Percebe-se que Fernando Cerimedo utilizou os mesmos argumentos, que teriam sido ‘descobertos’ pelos hackers, citados pelo tenente-coronel [brasileiro] Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros e que [o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro na presidência, tenente-coronel] Mauro Cid afirma ter sido feito pelo ‘nosso pessoal’”, ressaltou a Polícia Federal no relatório.
O parecer prosseguiu: “A escolha de sites e cidadãos estrangeiros para disseminar as notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro foi deliberadamente utilizado pelos investigados em razão da atuação do Tribunal Superior Eleitoral, proferindo decisões determinando a retirada de publicações que atentassem contra o sistema eleitoral e aquelas que utilizassem notícias falsas contra os presidenciáveis”.
A PF informou que os arquivos armazenados no celular de Mauro Cid revelaram que, no mesmo dia, o então assessor especial da Presidência da República “e integrante do autodenominado Gabinete do Ódio”, Tércio Arnaud Tomaz, encaminhou, via WhatsApp, o link dos arquivos mencionados por Cerimedo.
A PF mostrou como o “drible” ocorreu: “No dia seguinte, à 0h50, Marques de Almeida envia o link do site ‘https://brazilwasstolen.com/’ com a mensagem: ‘Para quem ainda não viu a denúncia da fraude pelo vídeo argentino… Em português-español-english’. À 1h10, escreve: ‘Tiraram do ar. Quem precisar, tenho baixado. Só avisar que envio o arquivo em mp4′”. Ele estaria se referindo à live transmitida por Cerimedo.
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