Política

Ministro do STF Alexandre de Moraes reconhece que Judiciário "bobeou" ao lidar com as fake news

Nelson Jr/SCO/STF

Segundo Alexandre de Moraes, redes sociais foram cooptadas pela extrema direta

Publicado em 27/05/2022, às 19h48    Nelson Jr/SCO/STF    Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, criticou os diferentes mecanismos para a disseminação de notícias falsas na internet, durante um evento na Universidade de São Paulo (USP), nesta sexta-feira (27).

Porém, o magistrado reconheceu que o Judiciário, de um modo geral, "bobeou" na forma como lidou com o problema e apontou que a extrema direita cooptou as redes sociais.

"O mundo jurídico se acovardou. E criou uma falsa ideia de liberdade de expressão que não existe para nada. Ou seja, ninguém mais discutia que liberdade de expressão não é discurso de ódio, não é discurso nazista, não é discurso homofóbico, não é discurso machista, racista", afirmou o magistrado.

"Cooptação total das redes pelo populismo de extrema direita, que foi extremamente competente. Extremamente competente. Verificou o quê? Verificou: se a voz está lá agora, vamos dominar essa voz; se lá é expressão da democracia, vamos construir entre as passas a nossa democracia. E cooptou isso", acrescentou.

Na ocasião, de acordo com o jornal O Globo, o ministro do STF comparou notícias falsas a determinados tipos de "fofocas" para dizer que a propagação de inverdades não é algo novo.

"O problema existe, a instrumentalização do combate é difícil. Só acho que, de repente deu, para falar no português coloquial, uma bobeira geral do mundo jurídico, político. Parece que é tudo novidade. Não é novidade", disse.

"Ministro Gilmar [Mendes, que também estava presente] colocou aqui: fake news antes chamava fofoca. É a única diferença. A fofoca virou fake news. A fofoca que destruía reputações em cidade pequena, agora destrói reputações nas redes sociais", completou.

Com relação as plataformas que absorvem esse tipo de informação, Moraes cobrou uma mudança de posturas das empresas de tecnologia. Para ele, essas organizações, que ganham muito dinheiro com isso, querem "lavar as mãos".

"As plataformas não são as responsáveis pelas milícias digitais. São coisas diversas. Mas elas querem lavar as mãos, não querem ter nenhum tipo de responsabilidade, até que você aperte. O Telegram só assinou convênio com o TSE porque ia ser bloqueado", disparou o magistrado.

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