Política

PF pede acesso às contas de filme sobre Bolsonaro; produtora aponta "fishing expedition”

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Karina Ferreira da Gama não entregou a documentação solicitada e busca mais informações sobre a investigação  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 25/08/2026, às 19h25 - Atualizado às 19h30



A Polícia Federal solicitou à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, que entregue voluntariamente documentos financeiros relacionados à produção de “The Dark Horse”, filme que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi encaminhado por e-mail no último dia 18 de agosto por um delegado da PF lotado em Brasília. As informações são da CNN.

No ofício enviado à empresária, a corporação solicita “a apresentação voluntária da documentação comprobatória da produção cinematográfica”. Entre os materiais pedidos estão faturas, invoices referentes a operações realizadas no Brasil e no exterior, contratos, aditivos, demonstrações de despesas e comprovantes sobre a origem dos recursos utilizados e dos financiamentos da obra.

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Karina não entregou a documentação solicitada. Seu advogado, Ricardo Sayeg, pediu à PF mais informações sobre o procedimento, incluindo a portaria de instauração do inquérito, para saber o que está sendo investigado. O defensor afirmou ao delegado considerar que pode estar em curso uma “fishing expedition”, expressão jurídica utilizada para descrever uma investigação ampla em busca de elementos que possam revelar eventual ilícito.

Nesta terça-feira (25), Karina e a Go Up divulgaram nota defendendo a regularidade financeira da produção. “O laudo de transparência das contas sobre o filme The Dark Horse já foi feito e entregue às autoridades competentes no dia 10 de junho de 2026, ou seja, há dois meses e meio”, afirmou a produtora. Segundo Sayeg, a documentação demonstraria a “total regularidade no recebimento e destinação de recursos relativos à produção de origem integralmente privada”.

A defesa informou ainda que apresentou um laudo de perícia técnica elaborado por profissional independente a partir da análise da documentação financeira e contábil do projeto. Segundo a nota, o documento produzido pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI) “atesta que 100% dos valores recebidos foram utilizados em despesas diretas e indiretas da produção do filme, sem qualquer irregularidade na aplicação dos recursos captados”. A Go Up também reafirmou seu “compromisso com a transparência e o cumprimento de todas as obrigações legais”.

O caso ganhou novamente repercussão nesta semana depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal de informações de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo que envolve a produtora responsável pelo filme.

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