Política

“Roteiro de golpe”: petistas e bolsonaristas discutem prorrogação do horário de votação em todo o Brasil

Jefferson Rudy / Agência Senado - Ricardo Stuckert / PR
Decisão de estender o horário de votação até as 19h provoca reações intensas e acusações de golpe nas redes sociais de petistas e bolsonaristas  |   Bnews - Divulgação Jefferson Rudy / Agência Senado - Ricardo Stuckert / PR
Cauan Borges

por Cauan Borges

borgesjornalismo2023@gmail.com

Publicado em 25/10/2026, às 19h33 - Atualizado às 19h35



A decisão de ampliar o horário de votação até as 19h em seções eleitorais que ainda estavam abertas provocou uma onda de acusações de golpe e questionamentos sobre a condução do segundo turno das eleições, neste domingo (25).

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Nas redes sociais, políticos ligados ao PSOL, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e perfis bolsonaristas repercutiram a medida e levantaram suspeitas sobre o processo eleitoral.

O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) afirmou que o bolsonarismo estaria utilizando o episódio para criar um ambiente de contestação ao resultado das urnas. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar associou as denúncias à possibilidade de questionamentos sobre uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro.

Roteiro do golpe O bolsonarismo usou seu poder econômico para criar caos na eleição e impedir o direito ao voto. Agora começa uma onda de perfis bolsonaristas falando em “golpe”. As Big Techs vão estimular os posts bolsonaristas e vão fortalecer um clima de violência nas ruas. Se confirmada a derrota de Flávio Bolsonaro, os Estados Unidos não reconhecem o resultado e falam em fraude”, afirmou.

O deputado federal Guilherme Cortez (PSOL-SP) também acusou aliados do senador de tentar provocar instabilidade política. Segundo o parlamentar, a ampliação do horário de votação e os problemas relatados no transporte público fariam parte de uma estratégia para questionar o resultado eleitoral.

Ontem à noite, as pesquisas internas da campanha do Flávio começaram a prever a vitória do Lula por um margem maior do que o esperado. Então eles partiram para o plano B: tumultuar a eleição para cavar um golpe. O plano: prefeitos bolsonaristas boicotaram o transporte público para impedir seus eleitores de irem votar; o presidente do TSE Kássio Nunes se recusou a intervir; Zanin determinou a prorrogação da votação; agora os bolsonaristas começam a acusar um golpe para justificar a derrota. As próximas semanas serão de instabilidade. Trump não vai reconhecer o resultado das eleições. E nós precisaremos ir pra rua defender o processo eleitoral”, afirmou.

Bolsonaristas também falam em golpe

Do outro lado, perfis alinhados ao bolsonarismo questionaram a decisão judicial e a forma como a determinação foi repassada à Justiça Eleitoral. As publicações apontaram possíveis irregularidades relacionadas ao encerramento das urnas e à aplicação da prorrogação do horário.

JÁ VIROU PALHAÇADA! O Ministro Zanin emitiu a ordem prorrogação ao TSE em torno de 16h30. Nunes Marques enrolou e só repassou bem depois. O que aconteceu? Em vários estados as urnas já foram fechadas, impedindo as pessoas de votarem até às 19:00. É golpe na cara dura!”, disparou um internauta.

Outro apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou haver suspeitas de irregularidades em locais de votação: “Isso é combinado. Milhares de sessões vazias e fiscais votando Lula sem ninguém para acompanhar. Golpe claro”, afirmou um bolsonarista nas redes sociais.

A analista política Biazita Gomes também questionou a condução do processo eleitoral e defendeu a suspensão do pleito: “Estamos assistindo ao vivo um golpe no processo eleitoral . As eleições vão ter que ser suspensas", afirmou.

O comediante e empresário Antonio Tebet, por sua vez, publicou uma declaração associando a situação à atuação do crime organizado: “Estamos sob um golpe de estado que, em vez de tanques, atira com a caneta do crime organizado”, afirmou.

Confira os posts:

Zanin esclarece alcance da prorrogação

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), esclareceu neste domingo que a extensão do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília, se aplicava somente às seções eleitorais cujas urnas ainda estavam abertas no momento da decisão. Com isso, os equipamentos que já haviam sido encerrados não precisariam ser reabertos. Os votos registrados nessas urnas deveriam seguir normalmente para a totalização.

Determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados”, afirmou Zanin em nova decisão.

A determinação inicial ocorreu após um pedido de urgência apresentado pela coligação de Lula. A campanha alegou que dificuldades no transporte público estavam prejudicando o deslocamento de eleitores até os locais de votação.

O pedido mencionava inicialmente municípios baianos, entre eles Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Posteriormente, a solicitação foi ampliada para localidades de pelo menos outros nove estados: São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro.

Após a decisão do STF, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou um ofício aos presidentes dos tribunais regionais eleitorais com orientações para o cumprimento da medida.

Orienta-se que as seções eleitorais que ainda estiverem abertas permaneçam em funcionamento até as 19h (horário de Brasília), em estrito cumprimento à determinação judicial”, diz o documento.

Classificação Indicativa: Livre

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