Política
A pedagoga Kelly Morais, subprefeita da Prefeitura-Bairro de Valéria, em Salvador, publicou nas redes sociais uma mensagem em que associa o slogan político “FAZ O L” à recusa de serviços públicos, como regulação médica, consultas e fornecimento de medicamentos, após o resultado do segundo turno da eleição presidencial.
Durante a disputa eleitoral, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), declarou apoio, no segundo turno, ao candidato derrotado na disputa pela Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que fugiu do país.
Na imagem divulgada no Instagram, Kelly Morais utiliza a expressão “FAZ O L”, associada a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhada de frases que indicam a recusa em prestar serviços públicos.
Entre as mensagens publicadas estão:
- “NÃO ME PEÇA AJUDA NA REGULAÇÃO”
- “NÃO ME PEÇA CONSULTAS”
- “NÃO ME PEÇA MEDICAÇÃO”
O conteúdo relaciona a prestação de serviços essenciais à posição política dos cidadãos. Até o momento, não há confirmação de que a subprefeita tenha efetivamente negado atendimento a algum usuário dos serviços públicos.

A Prefeitura de Salvador foi procurada para informar se tem conhecimento da publicação e se pretende apurar a conduta da subprefeita.
Em nota enviada ao BNews, a Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro informou que tomou conhecimento de uma possível publicação atribuída à diretora da Prefeitura-Bairro de Valéria, Kelly Morais, após receber uma imagem encaminhada pela reportagem.
A pasta afirmou que o conteúdo teria sido publicado em caráter pessoal, sem vínculo institucional. Apesar disso, ressaltou que "repudia qualquer conduta que possa ser interpretada como discriminatória" e que o caso será apurado internamente, com a adoção das medidas cabíveis.
A secretaria também destacou que "não compactua com qualquer conduta discriminatória no atendimento à população" e reforçou que os serviços públicos devem ser oferecidos a todos os cidadãos de forma igualitária, independentemente de posicionamento político.
"A Prefeitura reafirma seu compromisso com o respeito aos cidadãos, a igualdade de tratamento e a garantia de um atendimento público pautado pelo respeito e pela imparcialidade", finalizou.
A reportagem também procurou Kelly Morais para comentar a publicação e esclarecer se houve recusa efetiva de atendimento a usuários dos serviços públicos.
Em contato feito pelo Instagram, a subprefeita encaminhou a mesma nota da Prefeitura e, em seguida, desativou seu perfil pessoal na rede social.
A publicação feita por Kelly pode motivar apuração administrativa. Eventuais consequências nas esferas penal e cível dependeriam das circunstâncias, da função exercida por Kelly Morais e da comprovação de atos concretos, além do conteúdo da postagem.
O artigo 319 do Código Penal prevê o crime de prevaricação, caracterizado por retardar ou deixar de praticar indevidamente um ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. A eventual responsabilização dependeria da comprovação dos requisitos legais.
Os artigos 135 e 132 do Código Penal tratam, respectivamente, da omissão de socorro e da exposição da vida ou da saúde de outra pessoa a perigo direto e iminente.
A aplicação desses dispositivos dependeria da situação concreta e da presença dos elementos exigidos para cada suposto crime.
O artigo 37 da Constituição Federal estabelece princípios que regem a administração pública, entre eles a impessoalidade e a moralidade. Se constatado que uma agente pública utilizou sua função para discriminar cidadãos por suas posições políticas ou negar serviços de forma indevida, a conduta poderá ser objeto de apuração administrativa, conforme as normas aplicáveis ao cargo e ao órgão responsável. As sanções dependeriam da apuração dos fatos e do procedimento legal cabível.
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