Política
por Informações de Henrique Brinco, Anderson Ramos e Carolina Papa
Publicado em 02/07/2026, às 12h38 - Atualizado às 13h09
O cortejo do 2 de Julho, em Salvador, foi marcado por tensão política, vaias, protestos e troca de provocações entre grupos rivais ao longo do trajeto entre a Lapinha e o Campo Grande.
Logo no início do desfile, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) foi alvo de vaias por parte do público presente. O episódio evidenciou a divisão política nas ruas e antecipou o clima acirrado que marcaria toda a caminhada cívica.
Em outro momento, integrantes do grupo do governador Jerônimo Rodrigues (PT) também enfrentaram reações negativas. Vaias e manifestações de descontentamento foram direcionadas à base governista, reforçando o ambiente de polarização.
Diante do cenário, Jerônimo reagiu ao embate político, especialmente após declarações de ACM Neto. O governador afirmou que pretende tratar a oposição com respeito, “da altura que a pessoa for”, em resposta ao uso do termo “humilhar” pelo adversário. Além disso, Jerônimo cravou que há acordo com o PSD para suplência e cita mediação de Jaques Wagner em negociação da chapa.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), manteve o tom crítico durante o cortejo e afirmou que a oposição pode “andar de cabeça erguida”. Ele também voltou a atacar o projeto da Ponte Salvador-Itaparica, classificando a iniciativa como uma “piada”.
Já o vereador Alexandre Aleluia (PL) reagiu às vaias registradas durante o desfile e afirmou que tanto as manifestações contra ACM Neto quanto contra o governador Jerônimo Rodrigues foram “encomendadas”.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), reagiu às críticas e afirmou que a “vontade do povo da Bahia vai se impondo”, ao mesmo tempo em que classificou adversários como “aves agourentas”.
Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou apoio a ACM Neto na Bahia e defendeu a necessidade de “enterrar o PT” no estado.
O senador Jaques Wagner (PT), por sua vez, evitou maior exposição diante das manifestações, adotando postura discreta ao longo do percurso.
A deputada estadual e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos (PSD), criticou ACM Neto ao afirmar que o ex-prefeito estaria “torcendo contra a Bahia”, especialmente após o avanço das obras da Ponte Salvador-Itaparica. A parlamentar defendeu o projeto e reforçou que iniciativas estruturantes não podem ser tratadas com descrédito por adversários políticos.
O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Carlos Muniz, afirmou que o calendário eleitoral não vai interferir nos trabalhos do Legislativo. Em conversa com a imprensa, ele destacou que a Casa seguirá com a análise de projetos considerados prioritários para a cidade, com atenção especial ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e às discussões sobre a cobrança no sistema “Kiss & Fly”, na área do aeroporto de Salvador.
Já o pré-candidato Kleber Rosa (PSOL) comentou as vaias direcionadas a ACM Neto e avaliou que as manifestações refletem a percepção popular sobre a trajetória do ex-prefeito. Segundo ele, o episódio não foi isolado, mas sim um indicativo do “olhar do povo” diante do cenário político, apontando insatisfação e cobrança por mudanças.
Os protestos foram um dos pontos mais marcantes do desfile. Manifestantes exibiram cartazes com críticas ao senador Jaques Wagner, ao governador Jerônimo Rodrigues e a Rui Costa. As mensagens faziam referência a polêmicas envolvendo o Banco Master, além de cobranças relacionadas ao caso dos respiradores, com o uso do termo “Rui Respiradores”.
O clima esquentou em diferentes pontos do trajeto. Apoiadores de grupos políticos rivais protagonizaram um verdadeiro “bafafá”, com bate-boca, provocações e gritos de guerra, refletindo a polarização que domina o cenário eleitoral na capital baiana.
Apesar da tensão, integrantes do governo buscaram suavizar o cenário. O vice-governador Geraldo Júnior (MDB) classificou as vaias como parte natural da democracia. Já a secretária Fabya Reis afirmou que viu nas ruas um “abraço” da população ao governador Jerônimo Rodrigues e ao presidente Lula.
O vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB) também entrou no debate e rebateu críticas da oposição à Ponte Salvador-Itaparica, classificando como “lamentável” a tentativa de desqualificar o projeto, que, segundo ele, é estruturante para o desenvolvimento da Bahia.
O secretário Adolpho Loyola minimizou a ausência do presidente Lula no desfile, destacando entregas recentes no estado e alfinetando a oposição ao desafiar lideranças adversárias a colocarem seus nomes nas ruas em contato direto com a população.
O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, afirmou que o 2 de Julho tem ganhado força a cada ano, com maior participação de jovens e estudantes, destacando a retomada do significado histórico da data. Ele ressaltou que o caráter político do cortejo permanece como tradição, sendo espaço de observação da recepção popular a lideranças.
Ao fim, o que sobrou foi um retrato fiel do momento político da Bahia: um desfile que misturou celebração histórica, mobilização popular e disputa eleitoral.
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