Retrospectiva

Eleições, polícia e tentativa de golpe: Relembre os principais fatos da política em 2024

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Bnews - Divulgação Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 28/12/2024, às 05h30



Mais um ano em que o tédio passou bem longe (põe ‘longe’ nisso) do noticiário político não apenas brasileiro como de todo o mundo. Enquanto o Brasil passava por eleições municipais, os demais países também passavam por seus respectivos pleitos e guerras.

Eleições Municipais

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A política brasileira voltou as suas atenções para as disputas das eleições municipais nas 5.570 cidades de todo o país. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PSD foi o partido que mais elegeu prefeitos em toda a Bahia. Ao todo, a sigla vai comandar 115 das 417 prefeituras baianas, o que representa mais de 27% do total de prefeituras. O Avante, com 60; o PT, com 50; PP, com 41; e o União Brasil, com 39, completam o Top 5.

Falando do União Brasil, vale destacar as vitórias de José Ronaldo, que foi para o seu quinto mandato em Feira de Santana; Débora Régis, que desbancou a ex-aliada Moema Gramacho (PT) em Lauro de Freitas; e a manutenção de Sheila Lemos no comando do Executivo de Vitória da Conquista após um processo de inelegibilidade contra ela.

Bruno Reis com sobras e a surpresa de Kleber Rosa

Já em Salvador, Bruno Reis (União Brasil) conseguiu se reeleger para o Executivo soteropolitano com uma votação histórica. Ele obteve 78,67% dos votos válidos e vencendo em todas as 19 zonas eleitorais da capital baiana. Quem acabou surpreendendo foi o candidato do PSOL, Kleber Rosa, que obteve 10,43% dos votos válidos, tornando-se o prefeiturável do partido mais bem votado da história e sendo um dos três candidatos da sigla entre as capitais com mais votos. O psolista acabou desbancando o vice-governador Geraldo Júnior (MDB), que alcançou 10,33%.

Briga boa em Camaçari

Outra cidade baiana que mereceu as atenções de toda a Bahia foi a disputa entre Luiz Caetano (PT) e Flávio Matos (União Brasil) pela prefeitura de Camaçari. A importância do pleito foi tamanha que fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ir à cidade da Região Metropolitana de Salvador para participar de um evento de campanha de seu xará e colega de partido, tornando Camaçari o único município baiano a receber a visita de Lula durante a campanha.  Após um primeiro turno apertado, o pleito foi para o segundo turno pela primeira vez na história, terminando com a vitória do petista. 

Tome cadeirada

No entanto, a eleição mais disputada e a que mais repercutiu no Brasil foi a da prefeitura de São Paulo. Apesar da expectativa para saber como seria o desempenho do apresentador José Luiz Datena (PSDB), a disputa se concentrou em três candidatos: o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Pablo Marçal (PRTB). Após um primeiro turno marcado pelas polêmicas que envolveram o ex-coach, incluindo uma cadeirada dada por Datena, o pleito foi decidido entre Nunes e Boulos, com uma vitória do emedebista.

2026 é logo ali

E como a disputa eleitoral é quase que uma constante no Brasil, o pleito deste ano mal terminou e o tabuleiro para 2026 já começou a ser montado. No grupo do PT baiano, já há uma disputa pelas duas vagas da chapa para o Senado. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, já demonstrou interesse em ter o seu nome na eleição na Casa Legislativa. Ele contará com os candidatos à reeleição Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD), que já disse que não vai abrir mão da disputa e descartou o interesse ser o candidato a vice-governador da chapa.

Eleição antecipada na Câmara dos Deputados

Antes dessa disputa, ocorrerá a disputa pela sucessão de Arthur Lira (PP) na presidência da Câmara dos Deputados. Ao longo de 2024, dois baianos se colocaram como candidatos: Elmar Nascimento (União Brasil) e Antonio Brito (PSD). Apesar das movimentações para as duas candidaturas, um movimento colocou um ponto final dos planos dos parlamentares: Marcos Pereira (Republicanos) desistiu de sua candidatura e declarou apoio ao líder do seu partido na Casa, Hugo Motta (PB), que rapidamente atraiu os apoios dos demais deputados, incluindo o do próprio Arthur Lira. A manobra fez Brito e Elmar também desistirem da disputa. Atualmente, Motta terá apenas a concorrência do pastor Henrique Vieira (PSOL).

Política também nas páginas policiais

Ao longo de 2024, o noticiário político se confundiu com as notícias policiais. Logo em janeiro, o vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), que investigava o uso irregular da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro para espionar adversários políticos do ex-presidente. O edil teve a residência do edil e gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A PF segue com as investigações do caso, batizado de “Abin Paralela”.

Carlos não foi o único integrante da família Bolsonaro a ter problemas com a Polícia Federal. As investigações contra o ex-presidente nos casos da falsificação do cartão de vacinação, a venda irregular de joias dadas pela Arábia Saudita ao governo brasileiro e um plano para dar um golpe de estado avançaram e colocaram Jair Bolsonaro em uma situação complicada. Em novembro, a PF indiciou o ex-chefe do Executivo federal junto com mais 36 pessoas. O indiciamento ocorreu no âmbito da Operação Contragolpe, apura crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado que visava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleitos presidente em 2022. Poucas semanas após o indiciamento, o general Braga Neto foi preso na mesma ação.

Os mandates do assassinato de Marielle

Ainda em março, a Polícia Federal prendeu os supostos de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. Na oportunidade, a PF prendeu Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio de Janeiro, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio. O parlamentar segue preso e foi expluso do seu partido, o União Brasil, além de responder a um processo de cassação na Câmara dos Deputados.

Homem-bomba em Brasília

Ainda em novembro, o Brasil registrou algo nunca antes visto na história do país. Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, morreu depois de detonar explosivos na Praça dos Três Poderes, em Brasília. De acordo com as investigações, Luiz havia planejado o atentado há algum tempo. Foram encontradas algumas referências aos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, em um plano de bomba na casa de Luiz.

Um ano da Operação El Patrón

A Bahia também teve dois episódios para “chamar de seu”. No dia 7 de dezembro, a Operação El Patrón, que investiga um grupo criminoso especializada na lavagem de capitais advindos de jogo do bicho, agiotagem, receptação qualificada, entre outras infrações penais, que atuaria em Feira de Santana e nas cidades próximas completou um ano. As investigações apontam para uma suposta ligação do deputado estadual Binho Galinha com o grupo. Para acompanhar o caso e identificar uma participação do parlamentar no esquema, a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) formou uma Comissão de Ética. No entanto, as atividades do colegiado pouco se manifestou sobre o avanço das investigações.

Operação Overclean

Já no dia 10 de dezembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Overclean, que investiga uma organização criminosa suspeita de fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. O esquema teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, sendo R$ 825 milhões apenas em contratos com órgãos públicos em 2024, tem como alvo principal o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).

Ao todo, 15 pessoas foram presas por envolvimento no caso, dez delas na Bahia. Entre os detidos estão Flávio Henrique de Lacerda Pimenta, servidor da Secretaria Municipal de Educação e que foi exonerado horas após a operação ser deflagrada; Francisco Manoel do Nascimento Neto, primo do deputado federal Elmar Nascimento; e José Marcos de Moura, empresário conhecido como "Rei do Lixo" e que possui forte atuação no setor de coleta de lixo na capital baiana e em outras cidades. Além deles, o secretário Municipal de Educação, Thiago Martins Dantas, é citado na investigação.

Eleições conturbadas na Venezuela

Outros dois países também tiveram eleições que repercutiram no Brasil. Em julho, Nicolás Maduro foi proclamado presidente reeleito da Venezuela. O resultado do pleito foi questionado pela oposição no país, gerando uma série de protestos no país. Um dos pedidos dos manifestantes foi a divulgação das atas eleitorais, documentos que apresenta os registros dos votos de cada urna, o que também foi pedido pelo governo brasileiro.

Corrida pela Casa Branca traz um novo velho presidente

Em novembro, foi a vez da população dos Estados Unidos ir às urnas para escolher o seu próximo presidente. A disputa foi marcada por uma série de reviravoltas. Inicialmente, Donald Trump enfrentaria o atual presidente Joe Biden, que acabou desistindo da disputa após pressão do partido Democrata. Para o seu lugar, a atual vice-presidente Kamala Harris.

Em seguida, foi a vez de Trump sofrer um atentado. Um jovem de 20 anos efetuou disparos contra o Republicano, que ficou ferido em uma das orelhas. Em meio aos acontecimentos, as urnas apontaram para a vitória de Trump, que já havia governado o país entre 2017 e 2021.

 Antes de voltar a Casa Branca, sede dos EUA, Trump foi condenado nas 34 acusações contra ele de fraude fiscal ao comprar o silêncio de uma atriz pornô.

Tentativa de Golpe sul-coreano?

Outro país que teve o seu presidente envolvido em "polêmica" foi a Coreia do Sul, Yoon Suk-Yeol decretou a lei marcial para proibir atividades políticas, incluindo às da Assembleia Nacional do país, além de impor censura aos meios de comunicação. Após a repercussão negativo da medida, Yeol revogou a lei. O parlamento sul-coreano já havia derrubado a medida e, dias depois, aprovaram o impeachment do presidente.

Novos capítulos da guerra entre Rússia e Ucrânia

O ano de 2024 também foi marcado pela extensão de dois conflitos que são acompanhados com preocupação por todo o mundo. O conflito entre Rússia e Ucrânia, que se intensificou desde fevereiro de 2022, já completou dois anos com milhões de pessoas deslocadas e milhares de mortos e sem a previsão de uma resolução. O conflito gerou uma série de sanções da União Europeia e Estados Unidos a Rússia. No entanto, a esperada piora na economia russa não aconteceu. O que aconteceu foi a aproximação do país comandado por Vladimir Putin com a China.

Conflito sem fim

Outro confronto que vem se estendendo por 2024 é o entre Israel e o grupo Hamas. Este ano, a guerra teve dois desdobramentos. Em setembro, o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, foi morto em um ataque israelense, inflamando ainda mais o confronto. Já em dezembro, Bashar al-Assad renunciou ao cargo de presidente da Síria após 24 anos no poder e, em seguida, deixou o país. Com isso, o governo de Israel já sinalizou que deve intensificar sua presença militar na Síria.

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